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Terça-feira, 27 de Março de 2007

BIOGRAFIA FERNANDO PESSSOA - 8º. LUGAR

É considerado, a par de Camões, o maior poeta da língua portuguesa. Deixa uma obra única, pela sua duração, originalidade e universalidade. Perito nas subtilezas da escrita, escreve com lucidez inabalável. Fernando Pessoa cria o seu próprio mundo. Um espírito rico e paradoxal não se podia resumir a uma só personalidade. Com a criação dos heterónimos, o poeta gera, em torno de si, um mistério que perpetua o seu nome infinitamente. “Imortal”, resume Pinto da Costa, professor catedrático de Medicina Legal.aiba Mais

Fernando Pessoa usava de forma exímia as palavras - sabia, melhor do que ninguém, que as palavras são etiquetas que se colam às coisas. É marcante a sua curiosidade por tudo o que ultrapassava os limites humanos. Figura cimeira da literatura portuguesa e da poesia europeia do século XX, Fernando Pessoa dedicou a sua vida a criar e divulgar a língua materna. Nas próprias palavras do poeta “a minha pátria é a língua portuguesa”. Com uma visão simultaneamente múltipla e unitária da vida, cativou o mundo com a sua escrita, misticismo e esoterismo. “É o escritor que consegue dar à poesia portuguesa, no século XX, o lugar de predominância e prevalência”, constata António Mega Ferreira, gestor e presidente da Fundação Centro Cultural de Belém. Uma figura universal.

Fernando Pessoa nasceu em 13 de Junho de 1888, numa casa do Largo de São Carlos, em Lisboa. A morte do pai e do irmão, com apenas 1 ano, marcam-lhe a infância e adolescência. A solidão chega cedo. É nesta altura que surge o primeiro pseudónimo, Chevalier de Pas, e o primeiro poema, “À Minha Querida Mamã”.

O casamento da mãe com o cônsul de Portugal em Durban, África do Sul, leva Pessoa a viver naquela cidade entre os 7 e os 17 anos. Ali recebe uma educação britânica e contacta com a língua e a literatura inglesas através de Shakespeare, Allan Poe, John Milton, entre outros. Em 1899, ingressa na Durban High School e destaca-se como um dos melhores alunos. Escreve os primeiros poemas em inglês. Como diz a jornalista Clara Ferreira Alves, “Fernando Pessoa quase que ia sendo um grande poeta inglês”. Só não foi porque lhe foi recusada uma bolsa para a Universidade de Oxford e, desiludido por ter sido preterido por um colega britânico, volta para Lisboa, sozinho, em 1905. “Se tivesse ganho a bolsa de Oxford, Pessoa seria, provavelmente, mais um daqueles casos como Pound ou T. S. Eliot.” Seja em que língua for, as suas primeiras pátrias - e, de resto, a sua última pátria - foram os livros. Quando chega, a língua portuguesa soa-lhe estranha. Inscreve-se no curso superior de Letras da Universidade de Lisboa, que acaba por abandonar no 1.º ano.

Em 1912 Fernando Pessoa escreveu na revista “A Águia”, órgão da Renascença Portuguesa, uma série de artigos, posteriormente compilados em livro com o nome “A Nova Poesia Portuguesa”, que na altura geraram uma fugaz polémica. Os artigos de Fernando Pessoa revelam um conhecedor profundo da literatura europeia antiga e moderna, atento à evolução literária recente, e procurando os seus métodos de análise na história das Ideias.

A sua versatilidade multiplicou-o por quatro ou cinco: assim nasceram os heterónimos. É com eles que Fernando Pessoa se torna extremamente enigmático. Passa a respirar, a transpirar, poesia. Em 1914 surgem os três heterónimos mais conhecidos: Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro. “A sua poesia é de qualidade tremenda. A própria criação dos heterónimos é, ela mesma, portadora de poesia e uma lição existencial muito importante não só para o século XX, como para a actualidade”, refere o historiador Rui Tavares.

Mas ainda aparece um quarto heterónimo, Bernardo Soares, autor de “Livro do Desassossego”. São individualidades distintas de Fernando Pessoa, com biografia e horóscopo próprios. Álvaro de Campos é o protótipo do vanguardismo modernista. Ricardo Reis, o clássico e estóico. Alberto Caeiro, o “único poeta da natureza”, como ele próprio o definia. Pessoa chega a ser considerado como um discípulo das suas criações. Para Pinto da Costa, professor catedrático de Medicina Legal, é muito complexo entender a personalidade do poeta. “Raia a psicopatologia, ultrapassa a própria psicologia e tem comportamentos que fogem da normalidade.” A heteronomia é a tentativa de Fernando Pessoa olhar o mundo de forma múltipla. Imprime mistério ao poeta.

Já Fernando Pessoa ortónimo - quando escreve com o seu próprio nome - segue os modelos da poesia tradicional portuguesa. Os textos denotam suavidade rítmica e musical. Escreve “Mensagem”, poema místico sobre a história de Portugal e o único a ser publicado em vida. Ganha o prémio da segunda categoria do Secretariado de Propaganda Nacional. Mais do que os heterónimos, o ortónimo tem uma atitude perspicaz de ver as coisas.

Pessoa é “o poeta da angústia existencial, da depressão, da melancolia, alguém que percebeu a crise da Humanidade e utilizou isso como matéria-prima essencial da própria escrita, da própria vida”, descreve o escritor Fernando Pinto do Amaral. Atacado de incurável melancolia, por vezes descrevia a sua compacta tristeza. Era, de certa forma, uma pessoa de sombra. Gostava de observar as coisas à sua volta, mas sem dar nas vistas. Pessoa era “um daqueles seres que estava desajustado no tempo, não cabia nos espaços e no corpo que lhe davam”, constata o escritor Fernando Dacosta.

Fora do trabalho passava o tempo a cultivar-se em astrologia, a fazer crítica ou a escrever. Despertou o interesse dos críticos e publicou profusamente. “É uma pessoa surpreendente e transcendental”, comenta o jornalista Duda Guennes. Fundou com outros intelectuais, a revista “Orpheu”, que lançou apenas dois números por afrontar os conservadores das letras. Movimentava-se num círculo de amigos restrito que frequentavam as tertúlias intelectuais dos cafés de Lisboa. Travou amizade com Luís de Montalvor, António Ferro, Almada Negreiros e Mário de Sá-Carneiro. Envolveu-se nas discussões literárias - e políticas - da época. Começou por defender, num manifesto, a ditadura salazarista, mas, mais tarde, compôs três sátiras ao Estado Novo. A intervenção na política revelou-se um equívoco.

Fernando Pessoa nunca esteve exclusivamente dedicado à literatura. Precisava de outro meio de subsistência. Trabalhou no comércio, a Luís de Montalvor, como tradutor de cartas e, depois, correspondente estrangeiro. Antes de ir para casa gostava de passar pelo depósito vinícola “Abel Pereira da Fonseca”, onde tomava a sua bebida favorita: aguardente. O consumo excessivo de álcool levou, segundo consta, à crise hepática que o vitimou em 30 de Novembro de 1935.

Se Camões é um viajante, amante das mulheres, do mundo; Pessoa é o homem moderno, solipsista, centrado no “eu” e na experiência individual. É um grande poeta do Simbolismo e Modernismo. Era um homem de encantos súbitos. Escreveu sobre tudo. Sobre um giroscópio, uma faca, dobrada à moda do Porto, economia, sociedade e tudo o resto que lhe vinha à cabeça. Pegava num papel e numa caneta e escrevia. “Esse lado grafómano fascina-me porque liga-o absolutamente aos grandes modernistas”, revela António Mega Ferreira. Um caso extraordinário de polivalência, diversidade literária e mental, experiências, vivências e visão de futuro. “É um génio”, diz a escritora Clara Ferreira Alves.

 

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