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Quarta-feira, 28 de Março de 2007

BIOGRAFIA DE D. JOÃO II - 6º. LUGAR

 

Duas palavras descrevem D. João II: clarividência e determinação. Com apenas 19 anos planeou a expansão marítima portuguesa e pensou grande: assinou o Tratado de Tordesilhas, assegurando para Portugal a posse do Brasil e a manutenção do comércio com a Índia. Foi um monarca implacável, que não hesitou diante de nada para atingir os seus objectivos. Mesmo que isso significasse aniquilar os inimigos. Tinha uma jovem austeridade, mas o seu sentido de justiça tornou-o querido do povo. “Colocou Portugal no centro do mundo”, diz o historiador de arte Anísio Franco.Saiba Mais

Não é fácil compor o rascunho da vida de D. João II. O cognome “o Príncipe Perfeito” assenta-lhe como uma luva. Enquanto o pai guerreava contra os vizinhos castelhanos, o príncipe herdeiro preparava a expansão portuguesa. Era um homem esclarecido, com “extraordinária visão estratégica”, afirma Fernando Nobre, presidente da Fundação AMI e um apaixonado pela história de Portugal. D. João II introduziu a idade moderna no País. “Tinha um projecto extremamente avançado”, diz, por sua vez, o historiador Rui Afonso. Um projecto simultaneamente administrativo, cultural e económico.

D. João nasceu em Maio de 1455, filho do rei D. Afonso V e de D. Isabel de Urgel. O infante tinha 16 anos quando participou, ao lado do pai, na conquista de Arzila, praça-forte do Norte de África. Foi um baptismo de guerra para o príncipe herdeiro. Consta das crónicas que foi armado cavaleiro nesse mesmo dia.

Em 1474 D. Afonso V entregou a D. João a política de expansão marítima do reino. O infante enveredou por um caminho diferente do que o pai tinha seguido. Em vez de se concentrar no Norte de África, decidiu expandir para o Sul. O grande objectivo era a descoberta de uma passagem para o oceano Índico. D. João II olhava para o mundo questionando-se constantemente como ele funcionava. “Percebeu que, para Portugal ser uma grande potência, tinha de dominar o Índico”, salienta o escritor Manuel Margarido. Esta política conduz à assinatura do Tratado de Toledo, em que Portugal aceitava partilhar com Castela o oceano Atlântico pelo paralelo das Canárias. Isto proporcionou a hegemonia de Portugal em África e protegeu aquela que seria conhecida como “rota do cabo”. “D. João II soube defender o seu projecto de exploração marítima, tanto interna como externamente”, diz o tenente Gonçalves Neves, investigador do Museu de Marinha. No meio destas tarefas, casou com D. Leonor, uma das filhas do infante D. Fernando, irmão de Afonso V.

O reinado de Afonso V foi marcado por lutas constantes com Castela. A guerra obrigava o rei a ausentar-se muitas vezes. Delegou, então, o poder em D. João. Quando o conflito terminou, o governo estava, de facto, nas mãos do infante, que impediu o pai de se lançar em novas aventuras bélicas.

D. Afonso V morreu em 28 de Agosto de 1481. D. João II foi reconhecido como rei - “alevantado”, como se dizia na época - três dias depois, em Sintra, sendo o juramento do reino realizado em Évora, em Novembro seguinte, antes da reunião das Cortes, convocadas para o efeito. Não tardou a revelar uma maturidade política impressionante. Começou por promover a centralização e modernização do governo. “Criou um Estado aberto a novas ideias”, lembra o padre Vítor Melícias. Porém, o reino não estava em situação fulgurante. O estado das finanças era tal que D. João terá mesmo dito: “Herdo apenas as estradas de Portugal.” A prioridade foi fortalecer o seu poder. Como tal, lidou de forma implacável com a alta nobreza. Mandou prender ou assassinar personalidades como D. Fernando, duque de Bragança, ou D. Diogo, duque de Viseu. Tinha uma energia e uma tensão de fera pronta a atacar a presa. “Era um homem de paixões, por vezes cruel, mas que não deixava de ter um grande sentido de justiça”, conta Manuel Margarido. Equilibrou os poderes entre o clero, a nobreza e o povo. “Foi um homem que fez de plebeus cavaleiros”, acrescenta Fernando Nobre.

Para além de notável estadista, D. João II revelou-se um exímio diplomata. Na política externa, de facto, sempre preferiu usar a diplomacia - não a guerra. Esta era uma das características mais marcantes da personalidade do rei. Nas mais complexas decisões, com margem de manobra limitada pela própria natureza dos actos, conseguia criar uma onda de consensos à sua volta. “Teve uma estratégia bem delineada para a projecção de Portugal além-fronteiras”, relata Fernando Nobre. Se fossem concretizadas em ambiente de guerra, as viagens de Diogo Cão ao longo da costa africana e a expedição de Bartolomeu Dias à ponta de África teriam sido bem mais difíceis.

“A viagem de Bartolomeu foi particularmente importante. Abriu as portas ao plano que D. João II tinha na cabeça: a chegada à Índia”, lembra escritora Ana Maria Magalhães. A viagem de Cristóvão Colombo e a descoberta de novas terras vieram acelerar a necessidade de criar um novo tratado que garantisse os interesses de Portugal. Em 1494 foi assinado o Tratado de Tordesilhas, que dividiu o chamado “Novo Mundo” entre as duas potências atlânticas. Antes de chegar ao tratado, D. João usou vários recursos, entre os quais a pressão política e a espionagem. “D. João II tinha muitos espiões”, conta a directora do Palácio Nacional da Ajuda, Isabel Silveira Godinho. Nestes aspectos delicados da gestão do Estado, era um equilibrista da melhor estirpe. Descobrir o que a outra potência sabia sobre rotas e novas terras era uma questão de vida ou de morte. Durante as negociações do Tratado de Tordesilhas, D. João II lutou para que a linha divisória ficasse a 370 léguas a oeste de Cabo Verde, e não a 100, como estava previsto. Há várias teorias para explicar esta insistência. Especula-se que já se sabia da existência do Brasil. Para o historiador Jorge Couto, a única certeza é que, sem este traçado, “Portugal não teria qualquer posição no continente americano, ficando confinado a África e Ásia”.

Estes sucessos foram ensombrados pelo problema de sucessão causado pela morte do filho de D. João, o infante D. Afonso. O rei ainda pensou nomear o seu filho ilegítimo, D. Jorge, mas a solução poderia causar conflitos internos. Escolheu, por isso, D. Manuel, irmão da rainha. “Colocou os interesses do reino acima de tudo, incluindo do seu afecto pelo filho D. Jorge”, declara Jorge Couto. O rei morreu no Algarve em Outubro de 1495.

Aquando da morte de D. João II, Isabel de Espanha terá dito: “Morreu ‘o homem’!” A frase confirma a grandeza de um rei que foi um dos primeiros homens de sempre a ter uma visão global do mundo. “Foi ele que levou Portugal a construir o império do século XVI”, remata o comandante Rodrigues Pereira, director do Museu de Marinha.


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