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Quinta-feira, 29 de Março de 2007

BIOGRAFIA LUIS VAZ DE CAMÕES - 5º. LUGAR

 

É o gigante das letras e o maior poeta da língua portuguesa - e um dos grandes poetas da Humanidade. Além de “Os Lusíadas”, deixa uma vastíssima obra poética. Viveu uma infância de privações, mas a sua curiosidade de aventureiro fê-lo alistar-se na milícia do ultramar. Viveu várias adversidades em Goa. O autor que sobreviveu a todas as intempéries mostra, quase cinco séculos depois, que a sua poesia escapou ilesa ao passar do tempo. Camões é, sobretudo, o símbolo de Portugal. “Foi cidadão antes de haver cidadania”, diz o historiador Medeiros Ferreira.Mais

As pessoas e as obras morrem com as gerações. Só os grandes homens - e os grandes feitos - sobrevivem ao efeito embaciado do tempo. Camões pertence à estirpe dos imortais. O maior poeta português de todos os tempos tinha amor à língua portuguesa e uma capacidade verbal assombrosa. Foi, talvez, quem mais bem trabalhou a nossa língua. “É uma das grandes figuras das letras europeias”, diz, convicto, o historiador José Hermano Saraiva.

Não será exagero dizer que foi Camões quem estruturou a língua portuguesa: manejou-a com inigualável transparência, lucidez e habilidade. No século XVI, a sua escrita era revolucionária. A excelência da sua poesia torna-a intemporal. “Camões é a nossa língua, o nosso hino, a nossa bandeira. É a voz épica e heróica da gesta nacional”, diz Miguel Veiga, advogado e um dos fundadores do PSD. “A língua portuguesa ganhou maioridade com o poeta”, afirma, por seu lado, o jornalista Duda Guennes.

Falar de Camões é falar, inevitavelmente, de “Os Lusíadas”. “É o nosso grande poema, a nossa grande obra literária”, exprime a escritora Alice Vieira. Mas há ainda o Camões lírico, dos sonetos, canções, odes, poemas de amor. Neste campo, Camões era - e ainda é - invencível. Percebeu o que os seres humanos sentem quando estão apaixonados e descreveu-o com rara profundidade. “Na poesia lírica, demonstra uma capacidade única de ir ao fundo da nossa alma. Entende, como poucos poetas, o que alguém sente quando se apaixona: o remorso, a culpa, a angústia, mas também a alegria das contradições amorosas”, explica o escritor Fernando Pinto do Amaral. É a poesia mais pura. O melhor que a artimanha pode criar com palavras e sentimentos.

Camões foi um fidalgo, filho de uma família sem riqueza. O pai, Simão Vaz de Camões, fidalgo da Casa Real, deixou o filho e a mulher em Coimbra, para onde terá ido em 1527 acompanhando a Corte, para servir o rei nas Índias.

D. Bento de Camões, prior do Mosteiro de Santa Cruz e chanceler da Universidade, possivelmente tio de Luís de Camões, terá sido a fonte da sua esmerada cultura clássica. A sua condição de fidalgo permitiu-lhe também frequentar os centros aristocráticos da cidade, onde teve acesso às obras de Petrarca (que tomou por modelo), Bembo, Garcilaso de la Vega, Ariosto, Tasso, Bernardim Ribeiro, entre outros. Dominava a literatura clássica da Grécia e de Roma. Lia latim, sabia italiano e escrevia em castelhano.

Conta-se que o poeta foi levado a frequentar o Paço por D. António de Noronha, cuja morte foi citada num soneto. Ali, terá conhecido Catarina de Ataíde, dama da rainha, considerada a grande paixão do poeta; ou, de acordo com outra hipótese, a infanta D. Maria. O mais provável é que o “grande amor” do poeta não seja mais que uma personificação idealizada do amor platónico. Já nessa altura Camões demonstrava um espantoso êxtase afectivo. Tinha na cabeça prazeres secretos.

Uma das características marcantes de Camões é o seu lado aventureiro. O seu lado picaresco é muitas vezes salientado. “Viveu à medida dos seus próprios anseios e impulsos, sobretudo na questão do amor”, diz Fernando Pinto do Amaral. “Ao mesmo tempo, tinha um enorme talento para a palavra.”

Num plano mais terreno, Camões tinha outras inquietações. É apontado como homem folgado e briguento. As suas desavenças terão dado origem a um desterro, em 1548, no Ribatejo.

A sua condição social obrigou-o a servir o rei. Embarcou, por isso, para Ceuta no Outono de 1549, costume e estágio obrigatório para a fidalguia da época, e as suas vicissitudes continuaram. Perdeu o olho direito numa escaramuça contra os mouros. “O nosso dia nacional está construído à volta de um poeta a quem tudo correu mal, excepto, felizmente, a poesia”, lembra o deputado João Soares.

De volta a Lisboa em 1551, as injustiças da vida passam a ser tema constante na sua lírica. Descreve os seus infortúnios, aponta com desprezo a sede de cobiça, o querer tiranizar. “Camões fala de tudo com a alma a sangrar em carne viva”, diz o historiador Vítor Pavão dos Santos.

Em Goa, onde chega em Setembro de 1553, a bordo da nau “S. Bento”, passa pelas atribulações de um soldado na Índia. Mas não descura as letras e, em 1556, representa a peça “Filodemo”, que escreveu para a tomada de posse do governador Francisco Barreto. Mais tarde, entre 1560 e 1561, durante uma expedição às costas da China, tendo naufragado na foz do rio Mecom, deambula pelas ilhas da Malásia. Em 1562, está de volta à capital do Estado da Índia. A sua vida foi um labirinto cheio de portas por abrir. “Um homem que, pela sua vivência de soldado, aventureiro, boémio, emigrado, exilado, regressado, por tudo isto é o típico aventureiro português”, diz o historiador Rui Afonso. “É um caso em que a pena se une à espada.”

Já em Moçambique, onde Diogo do Couto o encontra em 1567, Camões fecha-se na poesia e retoca “Os Lusíadas”. Deseja muito imprimi-lo. “Quem escreve um poema destes não só é um grande português, mas um grande cidadão do mundo”, diz o fadista Carlos do Carmo. Nos dias de frio, o poeta nunca larga a sua pena: compõe o “Parnaso Lusitano”, colectânea de poemas líricos, obra de grande erudição que teve um fim desconhecido.

Nos últimos meses de 1569, aos 45 anos, o poeta fala muito na pátria, que tanto exalta nos seus cantos. Uns amigos ajudam-no a regressar Lisboa, na nau “Santa Clara”, que chega em 1570. Traz com ele um jau, escravo javanês comprado em Moçambique, e os dez cantos de “Os Lusíadas”. Vai viver com a mãe, na Mouraria, em Lisboa, e a penúria agrava-se. Tinha apenas uma ambição: editar o seu livro. Um livro fabuloso de elogio a Portugal. “Camões é o supremo ressoar de todos os nossos mares, de todos os nossos olhares”, diz Miguel Veiga. “Mais do que isso. Exprime até à medula a condição de ser português: a pobreza, a vagabundagem, o desterro, o erro, a má fortuna e o amor ardente.”

O poeta consegue permissão real para levar adiante o seu projecto. O censor, frei Bartolomeu Ferreira, concede-lhe o direito de imprimir o livro. Na oficina do mestre António Gonçalves, em Lisboa, a obra de Camões ganha corpo. Dali saem 200 exemplares cheios de erros tipográficos. Correm os primeiros meses de 1572.
Após a publicação, D. Sebastião, o jovem monarca português, concede ao poeta um subsídio trienal de 15 mil réis, “em respeito aos serviços prestados na Índia e pela suficiência que mostrou no livro sobre as coisas de tal lugar”. A pensão é renovada em 1575 e, novamente, em 1578. Há quem defenda que era insuficiente para viver bem, mas o que de facto é extraordinário é que a tenha recebido - Luís Vaz de Camões ainda não é Camões - o poeta nacional descoberto no século XVII. “Camões é o criador de uma certa mitologia portuguesa”, declara o historiador José Sarmento Matos.

Entre 1579 e 1580 a peste assola Lisboa. Num quarto escuro, Camões tem muita febre e já ninguém duvida de que é mais uma vítima da doença. Até aí, não era costume vê-lo doente - a não ser de amor.

Camões é, sem dúvida, o símbolo de Portugal. “É o génio da raça, na sua graça e na sua desgraça, na sua bênção e na sua maldição”, diz Miguel Veiga. “É o fundador da identidade matricial da mátria e da pátria, ‘por mares nunca dantes navegados’, dando ‘novos mundos ao mundo’. Passou, de maneira indelével, a marca da universalidade e do humanismo português.”


 

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