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Segunda-feira, 24 de Novembro de 2008

Igreja Matriz da Póvoa do Varzim

 

Foto: Retratos e Recantos


Invocada pelos poveiros como protectora dos pescadores, Nossa Senhora da Conceição veio substituir, no primeiro quartel do século XVII, a primitiva dedicação da freguesia a Santa Maria de Varzim. Por sua vez, esta encontrava-se já autonomizada da paróquia de Argivai desde, pelo menos, a primeira metade do século XVI, e a sua primitiva ermida, românico-gótica, dedicada ao Apóstolo São Tiago, havia sido objecto de uma campanha de obras quinhentista.

O templo que hoje conhecemos foi inaugurado em 1757, e à sua edificação encontram-se ligados os nomes de importantes arquitectos, como é o caso de Manuel Fernandes da Silva. Natural de Braga, este mestre pedreiro foi responsável por intervenções arquitectónicas em edifícios tão significativos como o Hospital de São Marcos ou a Igreja e Nossa Senhora do Pópulo, em Braga. A obra da Póvoa de Varzim foi arrematada em 1742, sob projecto de Manuel Fernandes da Silva, lançando-se a primeira pedra a 18 de Fevereiro do ano seguinte. A sua morte, em 1751, levou à contratação de novos mestres pedreiros, a saber, Domingos da Costa, José Fernandes Lucas e João Moreira, que dirigiram as obras até à sua conclusão, embora todo o edifício estivesse já em fase adiantada.

A fachada, definida por pilastras, divide-se em três panos, correspondendo os dos extremos às torres sineiras que enquadram o corpo central. Aqui, abre-se o portal principal, encimado pelo brasão régio a que se sobrepõe um nicho flanqueado por aletas, que exibe a imagem de Nossa Senhora da Conceição. Ladeiam-no duas janelas com frontões triangulares interrompidos. Após a cimalha, esta secção é rematada por um frontão de aletas, contracurvado, com cruz na empena.

No interior, de nave única coberta por abóbada de berço, e com transepto pouco profundo, ganham especial relevância os nove altares de talha dourada, barroca e rococó, boa parte dos quais de invocação mariana. Na verdade, a iconografia do templo denota a unidade e a importância do culto da Virgem nesta localidade, pois são em grande número as imagens de Nossa Senhora. Também no retábulo-mor, de talha rococó, a tribuna é preenchida por uma tela representando a Imaculada. Para além do já referido Manuel Fernandes da Silva, outro artista bracarense parece estar ligado à matriz da Póvoa: André Soares, a quem Robert Smith atribuiu o risco dos retábulos.

Uma referência ainda para José Rodrigues, também natural de Braga, que executou os sinos, em número de cinco, segundo contrato com data de 1753.

A arquitectura barroca, onde já se percebe a emergência de uma linguagem de características rococó, impera neste amplo templo, que domina o largo onde se encontra implantado, marcando a vocação marítima da cidade e a protecção de Nossa Senhora às gentes do mar, em complementaridade com a capela existente na fortaleza.

 

Texto: (Rosário Carvalho) / IPPAR


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Domingo, 23 de Novembro de 2008

Solar dos Carneiros - Póvoa do Varzim


O edifício situada na Rua do Visconde e na Rua da Amadinha, conhecido por solar dos Carneiros, é a única casa brasonada existente na Póvoa de Varzim. A sua longa fachada, onde se exibe o brasão de armas da família, desempenhou um papel fundamental no tecido urbano e sócio-económico da Póvoa, vincando a imagem de poder e de relevo social que os seus proprietários pretendiam transmitir.


A sua construção remonta ao século XVIII, inserindo-se num dos modelo mais utilizados na arquitectura civil de Setecentos, a denominada casa comprida. O brasão, no andar nobre, é flanqueado por duas janelas marcando o eixo deste corpo da fachada, com janelas de sacada no piso superior, e no térreo, duas portas e janelas de linhas rectas, alinhadas pelo friso que separa os dois pisos.


No interior, e para além de um tecto de masseira, original, destaca-se a capela, com altar de talha policroma, a imitar marmoreados.
Quando, em 1936 se realizou a 1ª Exposição Regional de Pesca Marítima, um dos seus impulsionadores, António dos Santos Graça, decidiu prolongar esta iniciativa e promover a organização de um Museu Municipal, que veio a ser inaugurar no ano seguinte, no solar dos carneiros, com as peças da Exposição e outras entretanto reunidas.


A Câmara Municipal adquiriu o imóvel em 1974, promovendo, a partir de então, obras de remodelação e ampliação, que estavam concluídas em 1985, data da reabertura ao público do renovado Museu de Etnografia e História.


 
Texto: (Rosário Carvalho) / IPPAR

Foto: DGEMN: DSID


 


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Sábado, 22 de Novembro de 2008

Edifício da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim

Foto: PedroPVZ - 23/06/05


No Norte do país e, mais precisamente, na cidade do Porto, o gosto neoclássico surge bastante cedo (último terço do século XVIII), por influência da comunidade inglesa aí estabelecida, o que explica a presença, pelo menos numa primeira fase, de uma via estética palladiana, tão significativa no contexto arquitectónico da própria Inglaterra. Neste âmbito, o projecto do Hospital de Santo António (ainda que apenas parcialmente construído) veio a revelar-se fundamental para o desenvolvimento da arquitectura civil portuense, estabelecendo uma nova linguagem que se opunha ao barroco de Nasoni, que até então caracterizava a cidade e toda a região. Ou seja, o Porto soube tirar partido da presença da colónia inglesa, fomentado um gosto que conferiu um pendor erudito à renovação arquitectónica da cidade neste período.

Contudo, a nova linguagem de origem britânica acabou por se estender à região circundante, sendo vários os exemplos patentes noutras cidades nortenhas. Entre estes, encontra-se a arcaria da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, um projecto concebido pelo arquitecto Reinaldo Oudinot, nos anos de 1790-91. Oudinot trabalhou no Porto (desenhou o Quartel de Santo Ovídio), cidade para onde foi chamado por Francisco de Almada e Mendonça, que terá sido também o responsável pela encomenda da Póvoa de Varzim.

Este edifício destaca-se pela arcaria em cantaria de junta fendida ou rusticada, e registo superior rasgado por janelas rectangulares no eixo dos arcos, numa composição que recorda o imóvel da Feitoria Inglesa, cuja construção teve início em 1785, sob projecto de John Whitehead.

Ambos os edifícios se inserem na já referida corrente neopalladiana, caracterizada por um desenho austero, onde a decoração é praticamente nula. Muito embora a leitura da platibanda recta que remata o imóvel seja interrompida, ao centro, por um imponente brasão com as armas reais. Num plano posterior, ergue-se a torre do relógio, de planta rectangular. Nesta medida, os azulejos (azuis e brancos) que revestem a zona superior da frontaria, envolvendo as janelas, são uma obra já do século XIX.

 Texto: (Rosário Carvalho) / IPPAR


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Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008

Igreja de Nossa Senhora das Dores - Póvoa de Varzim

A actual invocação remonta ao século XVIII, uma vez que, até aí, a ermida era dedicada ao Senhor Crucificado, e designada por Senhor do Monte, por se encontrar num local ligeiramente elevado. A consagração a Nossa Senhora das Dores deve-se à devoção dos estudantes de Gramática Latina, que se organizaram de forma a obter financiamento para encomendar uma imagem de Nossa Senhora, o que aconteceu com a ajuda dos moradores. Esta, foi então colocada na ermida do Senhor do Monte a partir de 24 de Julho de 1768, data em que o Arcebispo concedeu autorização para tal. Seguiu-se a criação de uma confraria e o início daquela que foi uma longa campanha de obras, que visou remodelar a antiga ermida.

O início de edificação, com planta hexagonal, ocorreu em 1779, sob a supervisão do padre José Pedro Baptista, pertencente à confraria. Em 1880, estaria terminada, pois data desse ano a execução do retábulo de talha, por Manuel Alves Couto, de Landim. A fachada, contudo, era bastante diferente daquela que hoje conhecemos. Dividida em três panos, com os laterais recuados e abertos por janelas de sacada, exibe, ao centro, um portal coroado por frontão interrompido, a que se sobrepõe uma ampla janela. O alçado é percorrido por uma cimalha, curva no pano central. É a partir deste elemento que se verificam as diferenças, uma vez que os corpos laterais deveriam corresponder a duas torres que nunca foram terminadas devido às resistências dos arquitectos, que as consideravam excessivamente estreitas. A solução encontrada foi a de edificar apenas uma torre central, sugestão apresentada em 1805 pelo arquitecto portuense Joaquim da Costa Lima e Sampaio. Contudo, tal só foi aceite pela Confraria em 1812, erguendo-se em dois registos, no eixo do portal. É percorrida por balaustrada e rematada por cúpula. Os corpos correspondentes às antigas torres são encimados também por balaustrada. Assim, e apesar das múltiplas condicionantes, parte das quais por falta de verbas, a igreja de Nossa Senhora das Dores ficou concluída no início do século XIX, denotando, na sua dinâmica e ritmos, uma linguagem arquitectónica e decorativa que se aproxima do gosto barroco.

No interior, e para além do já mencionado retábulo, ganha especial relevância o conjunto de azulejos da capela-mor, aplicados na década de 1870, e que se dividem em dois registos - de padrão "ponta de diamante" no primeiro e figurativos no segundo. Na nave, as capelas abrem-se em arco de volta perfeita e as paredes são, também, revestidas por azulejos de padrão.

No exterior, a iconografia de Nossa Senhora das Dores foi complementada, em 1886, pela construção de seis capelas de reduzidas dimensões, alusivas às dores da Virgem.


Texto: (Rosário Carvalho) / IPPAR

Foto: Poveirinho - 2006


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Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008

Pelourinho de Rates - Póvoa do Varzim

A antiga povoação de São Pedro de Rates estava situada na confluência de vários eixos viários importantes desde o domínio romano, e fazia parte de um itinerário compostelano. Não se lhe conhece foral velho, mas era já concelho no século XIII, tendo recebido foral novo de D. Manuel em 1517. Foi extinto em 1836, e integrado na Póvoa de Varzim. O seu pelourinho, testemunho da passada autonomia, ergue-se ainda na localidade, diante dos antigos edifícios da Casa da Câmara, e junto da capela oitocentista de Nossa Senhora da Praça.

O pelourinho é constituído por um soco de três degraus de secção circular, bastante altos, estando embora o térreo, formado por blocos desconjuntados, parcialmente embutido no pavimento (de lajes de cimento). Os dois degraus superiores são semelhantes a grossas mós, e o último destes serve igualmente de base à coluna, que nele encaixa. Esta tem fuste cilíndrico e liso, cingido a meia altura por um estreito anel em ferro. O capitel é um singelo bloco cilíndrico, encimado por anelete rebordante. O remate consta apenas de um tronco cónico alongado, onde se crava uma pequena cruz em ferro, com longa haste inferior. O conjunto é provavelmente quinhentista.


 

Texto: SML / IPPAR

Foto: Paulo Almeida Fernandes/2006


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Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

Igreja ou Capela da Lapa - Póvoa do Varzim

 


Fundada em 1772, a Capela da Lapa foi mandada edificar pela comunidade piscatória de Póvoa de Varzim para servir de local de acolhimento dos pescadores e das suas famílias.

Era neste templo que estava sediada a Real Confraria de Nossa Senhora da Assunção, padroeira dos pescadores a partir de 1792, que foi criada sobretudo para prestar assistência às famílias que viviam da pesca.

De feição barroca, o templo apresenta na fachada uma torre sineira de grandes dimensões, edificada lateralmente, e portal de moldura simples sobrepujado por janelão. O conjunto é rematado por frontão triangular.

O edifício destaca-se sobretudo pela singularidade da fachada posterior, fronteira à praia. Aí a comunidade piscatória mandou construir um farol, agora desactivado, que durante anos serviu de guia, albergando uma imagem de Nossa Senhora da Lapa e um painel evocativo da tragédia que em Fevereiro de 1892 marcou os pescadores da Póvoa de Varzim.


Por: Catarina Oliveira - GIF/IPPAR/ 10 de Novembro de 2006

Mais Informações em: pt.wikipedia

 


Fotos: Poveirinho 2007


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Domingo, 16 de Novembro de 2008

Edifício dos antigos Paços do Concelho da Póvoa de Varzim

Foto:DGEMN: DREMN


A região do porto piscatório da Póvoa de Varzim é habitada desde os tempos pré-históricos, embora a sua incorporação no Império Romano tenha marcado o início da formação do centro urbano. O documento mais antigo que referencia Villa Eurazini data de 953, pertencendo ao cartulário da Colegiada de Guimarães. Durante a Idade Média, a povoação tornou-se um próspero porto de pesca, dividido em duas partes distintas. A norte o território pertencia à Ordem do Hospital, sendo ocupada por cavaleiros hospitalários, a sul as terras pertencia ao rei.

Em 1308 D. Dinis outorgou a "Varazim" a primeira carta de foral, doando as terras realengas aos rendeiros da zona norte da povoação, com a condição de os novos habitantes aí fundarem uma póvoa, constituindo um concelho. Poucos anos depois, em 1312, o monarca doou a póvoa a Afonso Saches, seu filho bastardo, que a incorporou nos bens do Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde.

Foi pois no início do século XIV que se constituiu o concelho da Póvoa de Varzim, datando possivelmente do século XV a edificação do primitivo edifício dos Paços do Concelho, embora pouco reste da estrutura deste. O edifício quatrocentista da Póvoa de Varzim assentava sobre uma estrutura de arcadas, que constituíam o piso térreo, encimada pelas duas janelas do pisos superior, entre as quais estava colocado o brasão de armas da vila. Este modelo apresenta semelhanças com alguns edifícios camarários edificados nos séculos XV e XVI no norte do País, nomeadamente com os antigos Paços Municipais de Viana do Castelo.

No entanto, e porque nas últimas décadas do século XVIII a casa camarária da Póvoa de Varzim apresentava sinais de ruína, a edilidade determinou em 1791 que fosse construído um novo edifício para albergar os Paços do Concelho.

No início do século XX os antigos Paços do Concelho foram comprados por um particular, que executou obras de recuperação no edifício, transformando-o em residência privada. O edifício apresenta actualmente uma estrutura de planimetria rectangular, que se divide em dois pisos, muito diferente da original. A fachada principal apresenta no piso térreo três portas, de moldura em arco abatido, e no registo superior três janelas quadrangulares.

Pode referir-se que esta reestruturação retirou ao edifício o elemento mais interessante da sua edificação primitiva, a estrutura de arcada quatrocentista, que se inspirava em modelos oriundos do Norte da Europa.


Texto: Catarina Oliveira / IPPAR/2006


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Sábado, 15 de Novembro de 2008

Coreto da Praça do Almada - Póvoa do Varzim

A Praça do Almada deve ao sua designação à homenagem que os poveiros quiseram prestar ao corregedor D. Francisco de Almada e Mendonça que, no século XVIII, defendeu os interesses da cidade, tendo sido um dos principais impulsionadores da concretização da Provisão Régia de D. Maria I, com data de 1791, que previa a construção de uma série de equipamentos públicos de grande importância local: a abertura da praça (que viria a ser designada pelo seu nome) para feiras e mercados; a construção de um aqueduto para conduzir a água desde Coelheiro até a esta mesma praça; a edificação de um novo espaço para os Paços do Concelho e a construção de um paredão na enseada. Na verdade, a centúria de Setecentos foi decisiva para a Póvoa de Varzim, registando-se um significativo crescimento demográfico e económico.

Por outro lado, este século condicionou o crescimento urbanístico subsequente, tendo como ponto fundamental a Praça do Almada. Para além da influência na malha urbana, este espaço reúne em seu redor um importante conjunto arquitectónico, a par de um conjunto de símbolos do poder municipal, como são o pelourinho e o novo edifício dos Paços do Concelho.

O primeiro esforço para construir um coreto no local remonta a 1896, tratando-se, muito possivelmente, de uma estrutura efémera, como aconteceu um pouco por todo o país. Só em 1904 se procedeu à sua efectiva edificação, inaugurando no ano seguinte com a actuação da Banda Povense.

Associado ao surgimento e florescimento das bandas filarmónicas, de que a Banda Povense é um bom exemplo, este palco era simultaneamente um pólo dinamizador de reuniões, concertos e discussões.

De planta hexagonal (forma que se repete até à cobertura), o coreto segue uma tipologia comum, com as instalações sanitárias de apoio, em alvenaria, no registo térreo, e o espaço para actuação e convívio no registo seguinte. Este, é circunscrito por uma guarda de ferro fundido aberta na zona da escada de acesso, com guarda idêntica. Em cada um dos ângulos do hexágono, ergue-se uma das seis colunas que suportam a cobertura, rematada por lanternim, ambas com decorações de influência oriental.

É bem visível neste coreto a utilização da arquitectura do ferro, que recorre a uma inspiração oriental muito marcada, ainda que aplicada numa gramática geométrica e estilizada. De gosto romântico, esta estrutura destaca-se pela cobertura, em chapa metálica escura, com cercadura rendilhada de tons claros, que se articula com as colunas. Remata o conjunto um lanternim, sobrepujado por um pináculo.

Se, por um lado, o coreto revela o gosto da burguesia local, por outro, deixa antever uma sociedade que tem tempo de lazer, que passeia nas principais artérias da vila para ver e ser vista.



Texto: IPPAR / Rosário Carvalho)

Foto: DGEMN: DSID


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Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

Igreja S. Pedro de Rates - Póvoa do Varzim

Foto: DGEMN: DREMN, DSID

 


A fase medieval do antigo mosteiro de Rates constitui um dos mais importantes capítulos da arte românica em Portugal. A sua importância na história monacal nacional, as relações que então estabeleceu com os poderes dirigentes e a relevância das formas arquitectónicas e escultóricas aqui empregues fazem deste monumento um verdadeiro caso de estudo, cujas conclusões ultrapassam, em muito, o mero conteúdo monográfico e reflectem-se em toda a produção românica do nascente reino de Portugal.

As suas origens antecedem, todavia, a nacionalidade. A lenda perpetuou a existência de um estabelecimento cristão patrocinado por São Pedro de Rates, mítico primeiro bispo de Braga, hipótese que, como foi demonstrado, remonta essencialmente ao século XVI. Os vestígios materiais mais antigos identificados no local recuam à época romana, designadamente fragmentos de Sigillata Clara, mas os elementos que podemos relacionar com a igreja datam já do período asturiano-leonês. A partir do estudo de Manuel Luís Real, foi possível concluir pela existência de uma fase construtiva verificada entre os finais do século IX e os inícios do seguinte, a que correspondem numerosos fragmentos, entre os quais aximezes, um capitel prismático vegetalista e um altar decorado com cruz. Nas recentes escavações, o conhecimento acerca do templo pré-românico alargou-se a outros elementos, casos de um aparente ante-corpo ocidental, provável narthex do templo pré-românico. Nesta parte do edifício, foi encontrada uma estela romana, posteriormente cristianizada pelos séculos VI-VII e, ainda depois, reaproveitada na fase pré-românica.

O edifício de tradição asturiana foi totalmente substituído nas centúrias seguintes. Nos finais do século XI, o conde D. Henrique promoveu a renovação do templo, monumento de que restam também importantes vestígios, apesar de também profundamente alterado nos séculos XII e XIII,. "Em traços gerais, seria uma igreja com planta de três naves, cinco tramos e transepto. A cabeceira aproximava-se muito da actual. O mesmo se pode dizer da volumetria do edifício".

A construção românica propriamente dita iniciou-se no segundo quartel do século XII. Ela desenvolveu-se ao longo de um século, com avanços e recuos próprios de um estaleiro de longa duração, cujos trabalhos entraram pelos conturbados tempos de finais do século XII. Graças aos estudos de Carlos Alberto Ferreira de Almeida (1975, 1978, 1986 e 2001), podemos equacionar a existência de três momentos da construção românica, os dois primeiros marcados por assinaláveis recursos, e a que se deve o essencial da construção (incluindo as fórmulas decorativas da cabeceira e portal lateral Sul). No período de crise do reinado de D. Sancho I, quando as fronteiras do reino se encurtaram perigosamente, o estaleiro perdeu fulgor e o programa construtivo e decorativo da fachada principal foi reduzido, reaproveitando-se aduelas concebidas para o portal nas arcadas das naves.

Os avanços e recuos das campanhas românicas conferem ao monumento um estatuto ímpar, multiplicando-se as influências estilísticas, de Braga, de Coimbra, de França (Borgonha), etc. O programa iconográfico do portal principal, apesar de drasticamente reduzido, é um dos mais completos do nosso românico. No tímpano, Cristo envolvido por mandorla, é ladeado por dois profetas que espezinham duas outras figuras, que Ferreira de Almeida entende representarem "sem dúvida, Judas e o herege Ario". No portal lateral Sul, o tímpano é envolvido por um arco cairelado e ostenta um Agnus Deiacompanhado pelos símbolos dos Evangelistas.

Muitas transformações aconteceram ao longo da História do mosteiro, que haveriam de culminar com o restauro efectuado pela DGEMN, o qual logrou reconstituir a cabeceira original, tripartida, escalonada e de planta semicircular.


Texto: PAF / IPPAR


Foto: DGEMN: DREMN, DSID

 


 


publicado por MJFSANTOS às 08:34
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