Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008

Palácio da Bolsa

Palacio da Bolsa

(Foto: Manuel Sousa)


O palácio da Bolsa é considerado um dos mais belos edifícios que o Porto possui e ainda um dos mais ricos de Portugal, sendo um dos salões de visita da cidade onde se têm desenrolado os mais marcantes acontecimentos sociais, políticos e culturais ligados à vida citadina.

A sua construção foi fruto de um grande investimento e dedicação por parte dos mercadores portuenses que haviam perdido a Casa da Bolsa do Comércio e se viram obrigados a discutir os seus negócios ao ar livre, na rua dos ingleses.

Só anos mais tarde, a 6 de Outubro de 1842 é que foi lançada a primeira pedra do Palácio da Bolsa, que hoje podemos admirar.

Este edifício ostenta uma variedade de estilos, desde a severidade da arquitectura toscana e do neoclássico oitocentista, até aos primórdios policromáticos do Salão Árabe e com notórias influências do gosto neopalaciano inglês.

A planta do edifício é rectangular e a fachada principal encontra-se dividida em três corpos de ordem dórica estando o corpo principal guarnecido por uma escadaria paralela ao edifício que termina numa larga torre quadrangular ornamentada com elementos jónicos e corintios.

O vestíbulo da fachada principal dá acesso ao Pátio das Nações, este átrio é ladeado por um claustro envidraçado, coberto por uma grande clarabóia sustentada numa admirável estrutura metálica.

No começo da cobertura figura o escudo nacional e na parte inferior e as armas do Brasil, da Itália, do Saxe, da Pérsia, da Argentina, da Rússia, da Inglaterra, da Alemanha, da Suíça, da Dinamarca, do México, da França, dos EUA, da Grécia, da Noruega, da Suécia, da Áustria, da Espanha, da Bélgica e da Holanda, com os quais Portugal mantinha relações de amizade e comércio no fim do século XIX.

O pavimento deste átrio é revestido de mosaico com motivos geométricos inspirados em modelos greco-romanos de Pompeia. Ao fundo deparamos com uma escadaria em granito azulado que dá acesso ao andar nobre, onde se abrem três portas de arco pleno entre as quais se encontram os bustos dos estadistas Hintze Ribeiro, Fontes Pereira de Melo e os antigos presidentes da Associação.

Neste andar podemos encontrar a Sala de Reuniões, mais conhecida pela sala dourada pois o seu tecto é decorado com estuque coberto de ouro, o gabinete do presidente, decorado em estilo Império, seguindo-se-lhe a Sala das Assembleias Gerais, decorada por painéis imitando carvalho velho e ornamentações a ouro. Contígua a esta encontramos a Sala dos Retratos e esses retratos que lhe deram o nome retractam a corpo inteiro as imagem dos últimos reis de Portugal do período constitucional.

No andar térreo está localizado o Gabinete de Leitura e a Biblioteca.

No entanto de todas as Salas existente no Palácio, a que mais destaque possui é o Salão Árabe também conhecido por Salão Nobre, com estuques de cor do final do século XIX, legendado a ouro em caracteres arábicos que cobrem praticamente todo o tecto e as paredes. Este notável salão tem a forma de um paralelograma octogonal, cujos ângulos truncados formam saídas para outras dependências e gabinetes, circundando-o uma dupla arcaria rematado superiormente por uma cornija decorada com pendentes.

É neste salão e mais abrangentemente, neste palácio que se têm, desenrolado as mais elegantes e distintas comemorações em honra de chefes de estado aquando das suas visitas oficiais à cidade e homenageado altas personalidades nacionais e estrangeiras.

 

(Texto: Porto XXI)


publicado por MJFSANTOS às 14:28
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Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008

Antiga Companhia Moagens Harmonia

Moagens Harmonia

Moagens Harmonia

Moagens Harmonia


Empresa remanescente de finais de Oitocentos, as Moagens Harmonia consolidaram a sua importância na indústria moageira do Norte, reunindo no seu recinto fabril uma diversidade construtiva dependente da diferente cronologia articulada com os inevitáveis avanços tecnológicos. Construída no interior do perímetro de um antigo palácio barroco, beneficia da excelente localização junto ao rio Douro, sendo decerto nos primórdios industriais a via de circulação preferencial.
Das edificações correspondentes ao crescimento ou actualização industrial ressalta o grupo de silos que irá consolidar a nova era - área fabril. Beneficiando das potencialidades incombustíveis e da estabilidade do betão armado estes silos apresentam um léxico singular pouco usual em projectos tão dependentes de funções estritamente contentorizadoras.
De coberturas em terraço, a placa em betão armado remata exteriormente os silos, demarcando plasticamente as áreas funcionais da ensilagem das de circulação e de admissão de cereais localizadas num plano recuado e discreto no cimo do edifício, desenvolvendo-se intencionalmente um enorme e soberbo recinto de observação em todo o vão limítrofe deste corpo superior. Destaca-se desta obra o tratamento formal que a área de circulação vertical sofreu. Colocada propositadamente como uma fachada que se impõe à via pública, remata os volumes circulares dos silos e oculta simultaneamente a sua funcionalidade.
Este volume vertical marcado por simétrica fenestração em cimento, emoldurada e destacada por friso do mesmo material, indiciando uma luminosidade constante, é rematado por similar jogo formal onde se inscreve a marca HARMONIA e que como uma gigantesca platibanda encobre o volume superior. A imposição ao transeunte de uma formalização com qualidade urbana, assente na sua extrema verticalidade articulada com o jogo compósito das janelas, qualifica esta torre publicitária como um elemento ou peça escultórica de referências gráficas modernas.


 

(Fonte: IPPAR)


publicado por MJFSANTOS às 00:15
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Domingo, 20 de Janeiro de 2008

Edifício do Frigorífico do Peixe, em Massarelos

 

Edificio Frigorifico do Peixe

(Foto: Manuel de Sousa)


O edifício designado por Entreposto Frigorífico do Peixe, foi vulgarmente conhecido por Bolsa do Pescado, denominação contida aliás nos desenhos de projecto. Compõe-se basicamente por dois corpos de distintos usos que são coordenados como um todo no volume exterior. O que confere, para o tempo (inícios dos anos 30) uma inovadora e inusitada dignidade a uma construção eminentemente industrial.
A função terciária de escritórios foi concentrada no gaveto desenvolvido em curva e albergando três pisos. À cota da entrada um duplo pé-direito conjuga-se com a planta livre pontuada apenas por três suportes verticais. Um grande vão, correspondente a dois módulos estruturais e que por isso é centrado por um pilar, ligava directamente ao grande salão que abrigava a bolsa/lota do pescado e inferiormente os frigoríficos onde o mesmo era transformado. Este amplo espaço de salão constitui justamente o segundo corpo do programa, aquele que o justificava pelo seu uso eminentemente industrial. Com cerca de 10 metros de pé-direito e uma estrutura de suporte porticada que vencia toda a largura de 20 metros sem qualquer pilar de apoio. Surgia assim um espaço completamente livre marcado apenas na cobertura por quatro expressivos pórticos em betão de perfil recto que desenhava um arco ligeiramente abatido. Pequenas vigotas perpendiculares articulavam esta rede estrutural abrindo-se nos intervalos da cobertura abobadada superfícies que permitiam a entrada de luz natural através do tijolo de vidro que preenchia as superfícies entre vigas. Uma estreita galeria em consola, agarrada às paredes e situada ao nível de um primeiro piso, corria em U todo o espaço rectangular desta grande nave. Por baixo, a semi-cave destinada ao entreposto frigorífico com 4 metros de pé-direito era suportada por potentes pilares de secção circular e capitel cónico dispostos numa modulação de 8 metros a eixo dos pilares.
Este programa, eminentemente funcional, poderá ter determinado em parte a ausência de referências decorativas e académicas. Mesmo os baixos-relevos que preenchem os painéis exteriores que ladeiam a entrada principal pela minimalidade e depuração dos desenhos alegóricos contribuem para acentuar a força expressiva dos sucessivos planos de parede e vidro. Explorando a profundidade dos mesmos, a lisura da parede curva contrapõe-se a uma série de planos laminares que investem desde o interior sobre a fachada. O interior é claramente dominado pelas exigências funcionais e pela ligação profunda entre a espacialidade interna e o sistema estrutural. Parecendo condensar influências múltiplas, desde o expressionismo alemão à linguagem Dudokiana, ao purismo Déco francês e ao neoplasticismo holandês, constitui a primeira obra referencial deste autor situada em pleno momento criativo da primeira geração moderna em Portugal.

IPPAR


publicado por MJFSANTOS às 11:26
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