Sábado, 12 de Abril de 2008

Igreja de Santa Maria de Vila Boa do Bispo - Marco de Canaveses

 


 

As origens do mosteiro de Vila Boa do Bispo recuam aos derradeiros anos do século X ou primeiros da centúria seguinte. Entre 990 e 1022 (ou em 1008, como pretendem alguns autores, um primitivo cenóbio foi fundado por D. Mónio Viegas, o Gasco, cavaleiro francês que combateu al-Mansur e alcançou grande prestígio nesta secção relativamente interior de Riba-Douro. De 1022 é uma discutida inscrição (realizada em data posterior a essa data) na tampa de um sarcófago existente no claustro, que indica ter sido aquele o túmulo de D. Mónio e de dois dos seus filhos. O facto de se tratar de uma inscrição posterior à data efectivamente epigrafada, porém, levou Mário Barroca a equacionar a hipótese de se tratar de uma legenda do século XIII, eventualmente realizada por "algum descendente da linhagem dos Gascos em busca de prestígio social".

Até à segunda metade do século XII, a história deste Mosteiro está envolta em lendas e atribuições duvidosas. De acordo com antigas crónicas, existia uma inscrição de 1035, associada ao sarcófago do bispo portuense D. Sesnando, cujos restos mortais foram trasladados para a parede Sul do templo em 1142, por ordem de D. Pedro Rabaldes, outro prelado do Porto. No entanto, quer a indicação de 1035, quer a de 1142 (data que algumas crónicas indicam ter estado epigrafada numa pintura mural no local do túmulo) são de existência duvidosa e não podem ser aceites sem reserva.

A igreja que hoje subsiste data dos finais do século XII ou inícios do seguinte, à semelhança de uma grande parte do nosso Românico. Nessa altura, ter-se-á refeito integralmente o templo monacal, dotando-o de uma estrutura comum para a época, de nave única e capela-mor rectangular, esta última provavelmente abobadada e apresentando arcarias cegas no exterior.

É precisamente a existência de arcadas cegas - na fachada principal e não na capela-mor, esta entretanto muito adulterada - o principal motivo de interesse do edifício, uma vez que se trata de uma solução sem paralelo no nosso país. Conservam-se uma arcada inteira e o arranque de uma segunda, no lado Norte da fachada principal, sendo as aduelas decoradas por animais afrontados. A contextualização destas formas não é fácil e tem vindo a ser objecto de discussão. Parecem não restar grandes dúvidas acerca de uma ascendência francesa (eventualmente passando pela Galiza), mas a verdade é que encontramos aqui analogias com os primeiros ensaios românicos de Braga, de Rates e de Travanca, o que poderá recuar a datação do conjunto em mais de meio século.

Na Baixa Idade Média, vários foram os homens importantes que aqui se sepultaram. D. Júrio Geraldes, corregedor do rei para o entre-Douro-e-Minho, encomendou dois túmulos pela década de 60 do século XIV, um para si e outro para D. Nicolau Martins, que sucumbiu em 1348 à Peste Negra, realizações que se encontram, actualmente, inseridas em modernos arcossólios da parede Norte do corpo. Um terceiro túmulo, já do século XV e que se encontra adossado ao flanco exterior Sul, é de D. Salvado Pires.

As maiores transformações no conjunto ocorreram a partir da segunda metade do século XVII e até aos meados da centúria seguinte. Para além da radical transformação das áreas monacais, o templo foi objecto de uma vasta campanha de obras, onde se conta a refeitura quase integral da fachada principal (com novo portal e mais ampla iluminação) e a actualização estética do interior. A parte mais simbolicamente relevante foi tratada como uma igreja forrada a ouro, uma vez que o arco triunfal, o tecto da capela-mor e as paredes fundeiras da nave e capela foram revestidos por uma homogénea solução de talha dourada em associação a retábulos. Na parede Norte da nave ainda subsiste o púlpito e o varandim trapezoidal policromado, de onde os monges assistiam às cerimónias litúrgicas.

 


 

 

 


(Fonte: IPPAR)


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Quinta-feira, 10 de Abril de 2008

Igreja Matriz de Soalhães - Marco de Canaveses


O território abrangido na actualidade pelo município de Marco de Canaveses possui variados testemunhos da passagem de diferentes comunidades humanas ao longo dos tempos, certamente atraídas pelos excelentes recursos cinegéticos que sempre proporcionou à sua sobrevivência e fixação, como comprovam exemplarmente as escavações realizadas na "Área Arqueológica do Feixo". Disso são exemplo a fertilidade dos seus campos, irrigados por inúmeros recursos hídricos, que acabaria por ditar a principal actividade económica das populações neles residentes, ou seja, a agricultura. E foi a par desta característica, que a localização privilegiada da região lhe permitiu acolher algumas das mais importantes feiras medievais do território português, cuja realização era sobremodo facilitada pelas diferentes vias que atravessavam o seu termo.

Uma particularidade que enraizaria já em pleno período medieval, ao longo do qual se ergueram múltiplos edifícios, com destaque para os solares brasonados.

Mas foi também o caso de templos construídos antes do início do processo de formação da nacionalidade, assim como durante a sua consolidação, como testemunha a "Igreja Matriz de Soalhães" erguida junto ao cemitério paroquial.

Erguida no convento beneditino instituído entre os séculos IX e XI, extinto antes de 1245 por D. Sancho II (1209-1248), e convertido em abadia secular na centúria de XIII, a igreja terá sido remodelada já em trezentos.

Construído em granito, o templo, de nave única e tecto coberto por 91 caixotões pintados de madeira (à semelhança do que sucede na capela-mor), apresenta as paredes interiores revestidas, até meio da altura, a azulejo de padrão azul e branco, resultante da intervenção realizada já no século XVIII, prolongados por duas séries de baixos relevos de madeira, pintados e dourados, com imagens da Paixão de Cristo, da Via Sacra e da vida do orago, São Martinho. Um tipo de revestimento de igual modo presente sobre o arco da "Capela das Almas" (situada no lado do Evangelho) e no arco triunfal (exceptuando o intradorso, decorado com temas vegetalistas) que separa a nave da capela-mor que alberga altar neoclássico. Da mesma intervenção barroca data o altar de talha dourada consagrado ao 'Sagrado Coração de Jesus', localizado na nave, no lado da Epístola.

Exteriormente, o alçado principal exibe portal, romano-gótico, axial de duas arquivoltas com capitéis lavrados com motivos vegetalistas sobrepujado por óculo quadrifoliado flanqueado por duas janelas, sendo encimado por cruz pétrea. Quanto à torre sineira, ela foi adossada ao lado esquerdo, possuindo com gárgulas e coruchéu finalizado com fogaréu.


(Foto: eb1-eiro-soalhaes)

(Fonte: IPPAR/A Martins)


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Terça-feira, 8 de Abril de 2008

Igreja de Santa Maria ou de Nossa Senhora das Neves - Meinedo - Lousada

 


 

Consagrada em 1262, a Igreja Matriz de Meinedo é dedicada a Santa Maria desde a sua fundação, integrando actualmente a Rota do Românico do Vale do Sousa. Segundo a tradição, este edifício românico substituiu outro templo, fundado antes da ocupação árabe da península, onde teriam sido depositadas as relíquias de Santo Tirso.
De planta longitudinal, a igreja ergue-se sobranceira à vila, sendo precedida por escadaria. Conjuga os volumes escalonados da nave, de secção rectangular, e da capela-mor, rectangular. A fachada é rasgada por portal de arco apontado com quatro arquivoltas, encimado por um pequeno nicho de volta perfeita vazado. O frontispício é rematado em empena com cruz.
Do lado direito foi edificada, no século XVIII, a torre sineira, rematada com coruchéu. Nas fachadas laterais foram abertos portais de volta perfeita, actualmente entaipados, sendo o remate dos panos murários pontuado pela disposição de cachorros.
O interior foi bastante modificado em campanhas decorativas executadas nos séculos XVII e XVIII. O espaço da nave é coberto por tecto de madeira com friso pintado, dispondo-se na parede do lado da Epístola o púlpito, e na parede fronteira um nicho com a imagem policroma de Santa Maria.
O arco triunfal é coberto por talha dourada, sendo ladeado por dois altares de talha. A capela-mor, coberta por tecto de caixotões pintados, é forrada por azulejos policromos seiscentistas, e ao centro foi disposto o grande retábulo setecentista, de talha dourada, decorado com temática mariana.


 

 


Fonte: IPPAR


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Sábado, 5 de Abril de 2008

Igreja de São Cosme e São Damião ou Igreja Matriz de Gondomar


A Igreja de São Cosme e São Damião ou Igreja Matriz de Gondomar localiza-se na freguesia portuguesa de São Cosme, cidade e concelho de Gondomar, distrito do Porto. Começou a ser construída nos inícios do século XVII e é de estilo barroco.

A Igreja está ladeada por uma torre sineira. Na frontaria destacam-se os nichos das imagens em granito dos santos padroeiros, São Cosme e São Damião. No interior destaque para a talha dos retábulos do Altar-mor e dos altares laterais, a pintura dos caixotões do tecto e a imensa estatuária religiosa com destaque para a imagem da Virgem com o Menino.


(Fotos: Henrique Matos/Wikipédia)

publicado por MJFSANTOS às 00:06
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Terça-feira, 1 de Abril de 2008

Igreja do Salvador - Matriz do Unhão - Felgueiras

 Foto: Fmars 

 


 

 

Unhão é um importante templo do Vale do Sousa, que reflecte bem a importância e o alcance do processo de povoamento desta região em pleno século XIII. Um primitivo templo foi sagrado pelo Bispo de Braga em 1165, mas o que hoje podemos observar corresponde certamente a uma reforma posterior verificada nas primeiras décadas do século XIII - ou a um continuado e lento processo edificador iniciado nesse ano de 1165?

É um templo de modestas proporções, de nave única e capela-mor rectangular, cujo principal motivo de interesse reside no seu portal principal. Este é inscrito em gablete e compõe-se de quatro arquivoltas de arco de volta perfeita, decoradas com motivos geométricos e vegetalistas (a exterior em forma de moldura de enxaquetados), que enquadram um tímpano preenchido com a típica cruz vazada de tradição bracarense.

O interior foi bastante enriquecido nos séculos XVIII e XIX, salientando-se os retábulos que ladeiam o arco triunfal e o retábulo-mor, de talha dourada a denunciar a sua datação setecentista. O restauro do conjunto ocorreu nos anos 60 do século XX e, por ser já relativamente tardio, não impôs uma unidade de estilo tão marcante como em outros monumentos românicos. Foi assim que sobreviveram os retábulos e demais espólio da época moderna, contribuindo para que se evidencie a história do monumento, em vez de ele surgir aos nossos olhos cristalizado num determinado período estilístico.

(IPPAR)

 


 


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Quinta-feira, 27 de Março de 2008

Igreja de Santa Maria de Airães - Felgueiras


Situado a Norte da região do Vale do Sousa, o território correspondente, na actualidade, ao concelho de Felgueiras destaca-se, não apenas pela beleza natural das suas paisagens, como pela centralidade geográfica que assume e que justificou o lançamento, ao tempo do domínio romano, de várias vias que ligavam importantes localidades da Península Ibérica, de entre as quais a que ia de Bracara Augusta (Braga) a Aqua Flaviae (Chaves), passando por Ciada/Caladuno, posteriormente reutilizadas nos tempos medievos, numa comprovação da sua valência.
Embora mais conhecido por edifícios de monumentalidade semelhante ao do Mosteiro de Pombeiro, o termo de Felgueiras possui exemplares arquitectónicos distintivos de várias épocas e estilos, numa evidência da sua relevância ao longo dos tempos e, em especial, durante a construção da nacionalidade, a par de testemunhos de uma vivência anterior, como no caso da "Igreja de Santa Maria de Airães", erguida num adro lajeado a granito, no Lugar do Mosteiro.
Com referências documentais que apontam para a sua existência em finais da primeira centúria do novo milénio, é de 1184 a data hipoteticamente inscrita numa pedra entretanto desaparecida do púlpito, embora referida nas primeiras décadas de setecentos por Francisco Xavier da Serra Craesbeeck (1673-1736), descendente de Peeter van Craesbeeck (1572-1632), tipógrafo que se instalou em Lisboa refugiado das lutas religiosas que assolavam a Antuérpia.
Remodelado entre os séculos XIII e XIV, o templo foi, então, dotado de elementos arquitectónicos e gramática decorativa filiados no gótico, remontando a esta mesma campanha de obras o alargamento do seu interior que passaria de uma a três naves, até que o movimento barroco acrescentou à capela-mor o revestimento com painéis azulejares (ainda que de padrão seiscentista policromos a azul e amarelo,) que podemos observar nos nossos dias, assim como o altar central e sacrário de talha dourada e profusamente decorados com motivos fitomórficos, para além dos próprios retábulos colaterais, executados em talha policroma, com copiosa decoração composta dos mesmos elementos fitomórficos, a par de concheados.
Dedicada a Santa Maria e preservando ainda inúmeros elementos do seu ciclo primitivo de construção, a igreja, de planta longitudinal, exibe, lateralmente, sacristia e torre sineira (de acesso exterior), penetrando-se no seu interior através de portal principal de quatro arquivoltas perfeitas apoiadas em impostas assentes em colunas de fuste liso, mas de capitéis e bases lavradas com motivos vegetalistas e círculos enlaçados.


Foto: CM-Felgueiras

Texto: IPPAR



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Quarta-feira, 26 de Março de 2008

Igreja do Bom Jesus de Matosinhos


No séc. XVI iniciou-se a construção deste notável imóvel de traça renascentista, que tem sido objecto de inúmeras alterações até à actualidade. Destacam-se, no séc. XVIII, as intervenções de Luís Pereira da Costa, famoso entalhador setecentista, a quem se devem as obras de remodelação e acrescento da capela-mor e as de Nicolau Nasoni para o restauro da igreja. A notável combinação de volumes, estruturas e pormenores compositivos acentuam o aspecto cenográfico da fachada principal, desenhada de forma a acentuar a horizontalidade da construção e as características barrocas ao gosto nasoniano. São de admirar as duas torres sineiras, o frontão quebrado, a porta principal decorada com medalhão, no qual se insere uma concha de vieira e os dois nichos laterais que contêm as estátuas de S. Pedro e S. Paulo. No espaço interior, dividido em três naves, destaca-se o imponente altar-mor de talha dourada, que integra na parte central um nicho com imagem de Cristo crucificado, atribuída aos séc. XII / XIII. Trata-se de uma escultura em madeira oca, com cerca de dois metros de altura e extremamente curiosa, dada a assimetria simbólica do olhar, já que o olho esquerdo se dirige para o Céu e o direito para a Terra, numa clara simbiose entre Deus e o Homem.

A história da freguesia de Matosinhos entronca na do desaparecido Mosteiro de Bouças onde se venerou, durante séculos, a imagem do Bom Jesus de Bouças. No séc. XVI, face à ruína do mosteiro a imagem foi transferida para uma nova igreja que foi construída no lugar de Matosinhos. A sua construção iniciou-se em 1542 por iniciativa da Universidade de Coimbra a quem D. João III tinha concedido o padroado de Matosinhos. Para realizar esta obra foi inicialmente contratado João de Ruão, tendo a obra sido posteriormente completada por Tomé Velho.

No séc. XVIII a crescente importância da devoção ao Senhor de Bouças, particularmente entre aqueles que demandavam as terras do Brasil, vai levar à realização de grandes obras de ampliação da primitiva igreja, que ficaram a cargo do arquitecto italiano Nicolau Nasoni.


Fonte: CM-Matosinhos


publicado por MJFSANTOS às 12:20
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Segunda-feira, 24 de Março de 2008

Igreja São Domingos em Amarante


Sobranceiro ao rio, e junto à igreja de São Gonçalo, encontra-se um templo de pequenas dimensões dedicado ao Nosso Senhor dos Aflitos. Contudo, a designação mais comum é a de Igreja de São Domingos, por ter sido fundado pela Venerável Ordem Terceira do Patriarca São Domingos. Estava concluído em 1725 e a sua planimetria centralizada (circular com dois volumes laterais rectos) revela um gosto barroco de tradição seiscentista. A fachada, que ocupa um dos volumes salientes e rectangulares, é aberta por portal encimado por frontão triangular, interrompido pela janela superior. Remata o alçado um outro frontão triangular, com brasão no tímpano.

A janela da fachada ilumina o coro alto, sobre a entrada do templo, e este é delimitado por uma balaustrada que incluí o órgão no seu interior. Neste espaço centralizado, ganha especial importância a talha setecentista dos diferentes altares, que extravasa o âmbito dos retábulos para surgir nas sanefas e molduras dos diferentes vãos, ou ainda do arco triunfal. Por sua vez, também a imaginária contemporânea que a acompanha se reveste de grande significado, não apenas por ilustrar a invocação de cada altar, como também pelo seu valor artístico. A mais importante é a do orago da igreja, que originalmente se encontrava na Capela do Pópulo, na igreja de São Gonçalo, e que foi transferida para São Domingos no ano da conclusão do templo.

O altar de Santa Rosa Lima (lado da Epístola) e o de Nossa Senhora do Ó (lado do Evangelho) remontam a uma data próxima de 1739, apresentando grandes semelhanças entre si. As imagens que aí se encontram são também do século XVIII. Já no que respeita ao retábulo da capela de São Vicente Ferrer é conhecido o entalhador, Manuel Pereira da Costa Noronha.

Ladeiam o arco triunfal duas figuras-tocheiros, de madeira estofada a ouro e policromada. A capela-mor, cujo volume rectangular corresponde à entrada, separa-se da nave através de uma grade baixa, e é revestida por talha dourada, de estilo nacional, incluindo o tecto, em abóbada de caixotões. O cadeiral é de talha mas sem douramento. O retábulo, da mesma época, exibe a já referida imagem de Cristo Crucificado, integrada num conjunto que representa o Calvário, para além de outras imagens também do século XVIII.

Nesta igreja de reduzidas dimensões observamos a preferência pela planimetria centralizada, cujo gosto, bastante difundido no nosso país, principalmente durante o século precedente, radica, em última analise, na devoção ao Santíssimo Sacramento. Esta, foi aqui complementada pelo recurso aos inúmeros elementos de talha dourada, que com o seu brilho, contribuíram para a desmaterialização e ampliação do espaço interno, num constante apelo aos sentidos, tão caro ao período barroco.


(Fotos: JohnnyMass)

(Texto: IPPAR)


publicado por MJFSANTOS às 12:30
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Quarta-feira, 19 de Março de 2008

Igreja de São Pedro de Amarante


 

A igreja de São Pedro de Amarante destaca-se na malha urbana não apenas pelo seu relativo isolamento mas, principalmente, pela verticalidade da sua fachada-torre, rematada por coruchéu e pela cruz da teara papal, que evoca o primeiro papa, a quem o templo é dedicado. O portal, de verga recta, é encimado por aletas que integram uma cartela com a teara, enquanto nos remates dos corpos laterais da fachada se exibem as imagens de São Pedro e São Paulo.
Neste mesmo lugar ergueu-se, anteriormente, a capela de São Martinho, propriedade da misericórdia de Amarante. Terá sido destruída para dar lugar ao templo actual, edificado, muito possivelmente no decorrer do século XVII. Na verdade, o tecto de alfarge da sacristia parece ser o seu elemento mais antigo, mas há notícia de um contrato para o douramento dos retábulos colaterais e outros elementos de talha em 1687, ano em que a igreja já estaria concluída.
Em todo o caso, a torre sineira foi levantada bastante mais tarde, datando de 1727. Por sua vez, a capela-mor foi objecto de uma campanha em meados da centúria, com obra de pedraria executada em 1746 pelo mestre António Gomes e retábulo-mor entalhado em 1748 por José de Fonseca e Lima. O douramento da tribuna ocorreu já em 1760 pelos pintores Manuel de Queirós e João Manuel de Sousa.
No interior da igreja, de nave única, merecem especial referência os elementos de talha dourada que, apesar de contidos, extravasam os altares para revestir o arco triunfal, encontrando-se ainda presentes nas sanefas das janelas e púlpitos. O corpo do templo é percorrido por um silhar de azulejos de padrão seiscentista, amarelo e azul, e a abóbada de berço apresenta pinturas de motivos neoclássicos. Já na capela-mor, o tecto apresenta vinte e cinco caixotões e os vãos exibem uma moldura de talha dourada.


Foto: Travel-in-portugal

Texto: IPPAR


publicado por MJFSANTOS às 15:39
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Sexta-feira, 14 de Março de 2008

Igreja Santo André de Telões - Amarante


 

Telões é uma interessante igreja tardo-românica do aro de Amarante, que ilustra bem a densidade de povoamento da região nos primeiros tempos da monarquia portuguesa. Apesar de não se saber, ao certo, quando foi construída, a igreja inscreve-se nos derradeiros tempos do Românico, eventualmente no século XIII, pouco depois de D. Afonso Henriques ter doado o mosteiro de Telões aos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho (1173). O portal principal, hoje parcialmente escondido pela moderna galilé, revela bem o marco tardio da construção, com o seu arco ligeiramente apontado, de três arquivoltas assentes directamente nos pés-direitos e o tímpano sem qualquer decoração. A história do templo, todavia, é ainda mais recuada, remontando as suas origens aos finais do século IX e à implantação de um mosteiro dúplice presumivelmente vinculado à autoridade asturiana.

Ao longo dos tempos, a igreja foi sucessivamente enriquecida. No final da Idade Média algumas paredes do interior foram revestidas com painéis murais, cujas composições seriam historiadas, mas de que restam apenas frustes fragmentos. Bastante mais importantes foram as obras do período barroco. Em finais do século XVII, ergueu-se a galilé, que ocultou parte da frontaria, e, pouco depois, realizaram-se os retábulos de talha do interior, sendo particularmente tardio o retábulo-mor, estilisticamente conotado com a transição para o neoclássico.

O facto de a igreja ter sido restaurada em data tardia (já na década de 80 do século XX), favoreceu a preservação dos elementos artísticos da Época Moderna, ao contrário de muitas outras igrejas de origem medieval, expurgadas dos seus momentos de historicidade pela Unidade de Estilo praticada empiricamente pela DGEMN, no seu período áureo de intervenção.


(Foto: CM Amarante)

(Texto: IPPAR)


publicado por MJFSANTOS às 11:15
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