Sexta-feira, 7 de Setembro de 2007

Campanhã - Porto

HISTÓRIA

hist3.JPG (4342 bytes)Rico em recursos hídricos, com um solo extremamente fértil e uma posição geográfica privilegiada, a freguesia de Campanhã ofereceu desde sempre condições muito favoráveis à fixação de populações. Não admira, por isso, que a presença humana nesta área esteja documentada desde os períodos mais recuados da pré-história. Certos traços da toponímia demonstram que a zona de Campanhã terá sido habitada ainda durante o período dos grandes monumentos megalíticos (III e II milénios a.C.). Mas alguns vestígios encontrados junto ao Esteiro de Campanhã e atribuídos ao Paleolítico, indicam que a ocupação do freguesia poderá ser anterior.

Na Idade do Ferro terá existido um castro na zona de Noeda - o castro de Noeda - próximo da confluência dos rios Tinto e Torto. A presença romana, por sua vez, fez-se sentir de forma intensa em toda a área circundante ao freguesia, sendo, por isso, quase certo que aqui também venham a surgir testemunhos materiais dessa presença. Em todo o caso, a influência romana é um dado evidente e traduz-se, desde logo, no próprio topónimo "Campanhã", de origem latina.

hist4.JPG (6436 bytes)A referência mais antiga que se conhece relacionada com Campanhã surge num documento datado de 994, onde se lê, pela primeira vez, a expressão "ribulum campaniana", rio de Campanhã (o actual rio Torto).  Mas no século XI,  Campanhã já ocorre na documentação coeva como sendo a sede de uma "villa" relativamente importante, a "villa campaniana", uma propriedade rural de tradição romana, cujas origens se perdem no século IV. Esta "villa campaniana", domínio de uma velha família nobre, incluía grande parte das actuais freguesias de Campanhã, Rio Tinto e Valbom, e acolhia ainda o "Mosteiro de Santa Maria de Campanhã", a mais antiga instituição religiosa local.

hist2.jpg (15031 bytes)O ano de 1120 marca, entretanto, o início de um novo ciclo histórico que se revelou decisivo, não apenas para o freguesia de Campanhã, mas para todo o burgo portuense. Nesse ano, D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, doa o território do Porto ao bispo D. Hugo, passando o burgo a ser administrado directamente pela Sé Portucalense. Ora, uma parte importante do freguesia incluída na doação, formando a partir daí o limite oriental do couto, mais tarde denominado "termo velho" da cidade, pelo que gozava de todos os privilégios e honras concedidos aos habitantes do burgo. Campanhã surge assim dividida, grosso modo, em duas partes distintas: a área ocidental, mais próxima do centro do burgo e situada dentro dos limites do couto, e a parte oriental, pertencente ao "senhor rei" e formando, por isso, um reguengo. Esta divisão institucional definida em 1120 e confirmada pelas inquirições de D. Afonso III, em 1258, não conhecerá alterações significativas até ao século XIX.. A Igreja de Campanhã assegurava a ligação, não apenas simbólica, mas também social e cultural entre as duas partes.

Com o seu estatuto administrativo perfeitamente definido, Campanhã assiste nos séculos finais da Idade Média a uma expansão muito significativa da sua área cultivada, acompanhada de um crescimento bastante expressivo da população. Beneficiando das suas imensas riquezas naturais, o freguesia converte-se lentamente numa importante reserva agrícola do burgo, cuja principal função é abastecer a cidade de géneros alimentares básicos. Esta especialização económica desenvolve-se e aprofunda-se ao longo da Idade Moderna, prosseguindo praticamente inalterada até ao limiar do nosso século. O tráfico de bens agrícolas com as zonas mais urbanizadas da cidade intensifica-se a partir dos séculos XV e XVI, multiplicando os rendimentos dos proprietários das terras e dando origem a numerosos conflitos jurídicos entre si, a propósito dos limites e direitos associados a cada domínio.

Em todo o caso, e ainda que a agricultura representasse a actividade mais importante, a população de Campanhã, que tinha crescido de 1381 habitantes em 1687 para 2169 em meados do século XVIII, não era composta apenas por camponeses. Nas Memórias Paroquiais de 1758 destacam-se ainda mais dois grupos profissionais: os pescadores, concentrados sobretudo junto das margens do Douro e gozando de isenções fiscais desde 1593, e os moleiros, que no seu conjunto detinham 76 rodas de moinhos, distribuídas ao longo dos numerosos cursos de água que percorriam o freguesia.

bonj.JPG (4266 bytes)Durante o século XVIII esta marca agrícola do freguesia assume novas expressões. Surgem as quintas e os solares de "ir a ares", isto é, de veraneio das grandes famílias burguesas e nobres da cidade do Porto. As quintas do Freixo, de Bonjoia, da Revolta, de Furamontes e de Vila Meã são alguns casos bem representativos do luxo e do requinte arquitectónico que caracterizavam estes solares. A sua presença imprimiu um carácter muito próprio à paisagem e identidade da freguesia especialmente ao vale de Campanhã.

Com o século XIX chega o tempo das destruições provocadas pela guerra. Primeiro com as invasões napoleónicas, logo no dealbar da centúria, que deixaram um rasto de devastação bem patente no saque da Igreja de Campanhã, perpetrado em 1809. E, depois, com a guerra civil (1832-34) e o célebre cerco à cidade do Porto, que durou de Julho de 1832 a Agosto do ano seguinte. Durante o período que durou o cerco, o freguesia foi palco de numerosos confrontos entre liberais e absolutistas. O balanço trágico das perdas incluiu, segundo relatos da época, árvores derrubadas, vinhas destruídas, campos incendiados, casas e muros demolidos e danos irreparáveis em equipamentos industriais.

Mas o século XIX, apesar das dificuldades das primeiras décadas, representa também um período de crescimento e prosperidade. O freguesia conhece então um aumento muito significativo da população e uma rápida ampliação da sua estrutura industrial. Assim, a par das indústrias tradicionais, como a moagem e a tecelagem, que registam um forte desenvolvimento, surgem novos investimentos e diversificam-se, cada vez mais, os ramos de actividade. Um pouco por todo o freguesia aparecem fábricas e oficinas que se dedicam à marcenaria, à produção de cal, ao fabrico de fósforos de cera, palitos, trabalhos em filigrana, à destilaria, à saboaria e ainda aos curtumes.

 

ponte.JPG (4612 bytes)Este desenvolvimento industrial deve-se, em grande parte, à expansão dos meios de transporte, em especial do caminho de ferro. Em 1875 já era possível viajar de comboio desde Campanhã (Estação Sucursal de S. Roque da Lameira) até Braga, através da Linha do Minho, ou até Penafiel, através da Linha do Douro. Em 1877 são inauguradas a Ponte Maria Pia e a Estação de Campanhã, construída na zona da Quinta do Pinheiro. O alargamento da oferta de meios de transporte e a construção da estação promoveram a deslocação de grandes quantidades de mão-de-obra do interior do país para o Porto e, sobretudo, para Campanhã e para o seu vale. A grande disponibilidade de mão-de-obra favoreceu, por sua vez, a implantação de novas fábricas, sobretudo nas proximidades da estação, num movimento contínuo ao longo de todo o século XIX e das primeiras décadas do século XX. Por outro lado, a crescente afluência de pessoas a Campanhã conduziu a um redesenhar das estruturas do alojamento. Face ao seu reduzido poder de compra, os operários concentram-se em "ilhas" e "pátios", dois tipos de construções que se transformaram numa das marcas mais importantes da paisagem física e social da freguesia.

Este quadro poucas mudanças sofreu até às décadas de 50 e 60 deste século. Por essa época intensifica-se a tendência de expansão da cidade para oriente. A freguesia converte-se numa das zonas preferenciais para a construção de bairros de iniciativa camarária. A sua população regista então um acréscimo extraordinário. Ao mesmo tempo assiste-se à diminuição do papel da indústria como principal actividade económica, substituída progressivamente pelas áreas ligadas aos serviços.

Hoje, Campanhã continua repartida entre o seu passado de tradição rural, que ainda permanece vivo na paisagem e em muitos aspectos do quotidiano, e os traços cada vez mais visíveis da modernidade.


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Segunda-feira, 3 de Setembro de 2007

NEVOGILDE - PORTO

        HISTÓRIA DA FREGUESIA DE NEVOGILDE

 

A freguesia de Nevogilde só nos fins do século XIX começou a fazer parte da cidade e concelho do Porto.
 
Foi primeiramente chamado a depor o P.e Durando ou Durão - Domnus Durandus, «prelatus eiusdem Eclesiae».
Do seu depoimento, entre outras afirmações, consta que aí o Rei tinha quatro casais, dois deles povoados e dois despovoados. Num dos casais povoados morava João Milheiro (milliarius), no outro residia Petrilino. O mosteiro de Santo Tirso possuía cinco casais, um dos quais desabitado; o mosteiro de Pombeiro, dois casais, dos quais um desabitado; a Ordem do Hospital (S. João de Jerusalém, mais tarde Malta), dois casais, ambos despovoados; a igreja de Vermoim da Maia, um casal despovoado; e os mosteiros de S. João de Tarouca e de Macieira, dois casais cada um.
   
Pertenceu ao antigo Julgado de Bouças. Já as Inquirições de 1258, mandadas fazer por D. Afonso III, mencionam Nevogilde (Lavygildus) como uma das igrejas ou freguesias desse Julgado.
As Inquirições de 1258 fornecem algumas informações de interesse para o conhecimento de Nevogilde de então. «Hic jncipit jnquisicio ville que vocatur Louygildus et colacionis ecclesiae eiusdem loci»: aqui começa a inquirição da vila chamada Louegildus e da colação da igreja do mesmo lugar». É com estas palavras que abre o texto da inquirição.

 

Eram padroeiros da igreja as mosteiros de Santo Tirso e do Pombeiro (beneditino) que apresentaram o pároco que o Bispo confirmou. O P.e Durando foi o primeiro pároco e, a partir da sua nomeação, começou a receber as dízimos: «et postquam ipse fuit prelatus dederunt ey totam decimam tocius ville...».

Outras testemunhas foram chamadas a depor: João Mendes, Miguel Migueis, Pedro Remígio. D. Julião, Pedro Crispo e Domingos João. Todas elas confirmaram o depoimento do P.° Durando. Fez parte do referido Julgado até à sua extinção. Abolido este com a criação do concelho de Bouças, em 1835, continuou a pertencer ao novo concelho, com as freguesias de Matosinhos, Leça, Aldoar, Ramalde, Lavra, Perafita, Santa Cruz do Bispo, Guifões, Balio, Custóias e S. Mamede de Infesta.

Em 21 de Novembro de 1895, construída a estrada da Circunvalação, passou Nevogilde para o Porto, Bairro Ocidental, o mesmo acontecendo às freguesias de Ramalde e Aldoar. Eclesiasticamente, a freguesia pertenceu ao Arcediagado da Maia. Quando, no século XIV, as agrupamentos das freguesias começaram a ser designados por Terras, Nevogilde pertencia à Terra da Maia. Mais tarde, com a nova divisão da Diocese em Comarcas Eclesiásticas, Nevogilde fazia parte da Comarca Eclesiástica da Maia. Posteriormente, as comarcas foram divididas em Distritos. Maia ficou dividida em três Distritos e Nevogilde ficou a pertencer ao 1.° Distrito da Maia.

Por decreto episcopal de 15 de Janeiro de 1914, foi, juntamente com Aldoar, incorporada na circunscrição da Cidade do Porto. Eis o texto do decreto do Cardeal Dom Américo, Bispo do Porto:
«Incorporação das freguesias de Nevogilde e Aldoar na circunscrição da cidade, 15 de Janeiro 1914.
Tendo sido incorporadas na circunscrição eclesiástica da cidade, por Decreto de 19 de Fevereiro de 1910, as freguesias de Lordelo do Ouro, Ramalde e Foz do Douro, e encontrando-se em condições idênticas as freguesias de Nevogilde e Aldoar, únicas que estando quasi por completo dentro da área da cidade, ainda pertenciam ao 1.° Distrito Eclesiástico da Maia, para mais facilitar os serviços eclesiásticos; - Hei por bem determinar que as paróquias de Nevogilde e Aldoar sejam desanexadas do 1.° Distrito Eclesiástico da Maia, e incorporadas na circunscrição da cidade para todos os efeitos.»

Com a reorganização das vigararias em Distritos no ano de 1916, Nevogilde continua incluída na vigararia do Porto. Com um novo e posterior arranjo e divisão da vigararia do Porto, ficou incluída na vigararia 5. Presentemente, desde Julho de 1979, Nevogilde pertence à, 1.° vigararia do Porto, com Aldoar, Amial, Cristo-Rei, Foz do Douro, Lordelo do Ouro, Ramalde, Senhora da Ajuda e Senhora do Porto.
 
A freguesia de Nevogilde, que nos últimos anos se tem desenvolvido muito e conta belas zonas residenciais, antigamente poucos habitantes tinha. As Inquirições de 1258 referem 17 casais na vila de Nevogilde, alguns dos quais - pelo menos 6 - estavam desabitados.

As Constituições diocesanas de D. João de Sousa, aprovadas em sínodo de 18 de Maio de 1687 e impressas em 1690, dizem que Nevogilde tinha 21 fogos e 82 habitantes, sendo 68 pessoas maiores e 14 menores.

Em 1758, o Abade Manuel Pereira da Silva informa que a freguesia tinha 41 vizinhos ou fogos e 143 pessoas, entre maiores menores e ausentes.

Por sua vez, o P.e Agostinho Rebelo da Costa na sua Descrição Topográfica e Histórica da Cidade do Porto, cuja primeira edição é de 1788-1789, apresenta os seguintes dados, certamente relativos a 1787: em Nevogilde 36 fogos, e almas 136. Comparando estes últimos números com os de 1758, regista-se uma diferença, para menos, de 5 fogos e 7 almas.

Um relatório de 1839 dá à freguesia 30 fogos e 137 almas.

No censo de Dezembro de 1900, Nevogilde contava 224 fogos e 1149 almas, e no de 1970, 4217 habitantes, a saber 1739 do sexo masculino e 2479 do sexo feminino, e 995 fogos. É de notar que o censo de 1970 acusa, relativamente ao censo de 1960, um decréscimo de 1013 pessoas, ou seja, a população terá, diminuído 19 %.

Uma informação dada em 1937 pelo Pároco, Dr. Conceição e Silva, refere haver na freguesia 483 fogos e 2467 habitantes.

Observamos que não condizem, rigorosamente, os limites da freguesia civil e eclesiástica. Mas adiante voltaremos ao assunto.
 
Avançando nos séculos em busca da sua evolução, o jornalista Joaquim Fernandes diz-nos que «a palavra-chave é turismo balnear, revolução que emerge no último quartel do século XIX. As praias regurgitam de gente e a urbanização litoral é um facto, com a burguesia portuense a erguer os seus chalets». E se até determinada altura a Foz era apenas um local de passagem para alguns veraneantes, a partir de então passou a ser sítio para viver todo o ano e, naturalmente, a sua paisagem foi sofrendo transformações radicais. Nasceu assim a «Foz Nova», com ruas direitas e amplas, emolduradas por belas vivendas rodeadas de bonitos jardins.

Os prédios eram normalmente de um só andar, embora abundassem também os de sois e os térreos, segundo Carlos Champalimaud, «consequência natural de abundância de terrenos que não obriga à acumulação de indivíduos e mesmo de famílias em prédios comuns...».

Uns optaram pelo tipo de construção francesa, cuja elegância era realçada por Ramalho Ortigão como sendo «tão rara nas casas portuguesas», enquanto outras, em maior número, tinham inspiração britânica, o que levou Júlio Dinis a apelidar o conjunto ocidental da cidade como o bairro inglês, «... por ser especialmente aí o habitat destes nossos hóspedes. Predomina a casa pintada de verde-escuro, de roxo-terra, de cinzento, de preto... até de preto! - arquitectura despretensiosa, mas elegante; janelas rectangulares; o peitoril mais usado que a sacada».

Durante este século a população aumentou consideravelmente, o que se sente no desaparecimento de campos e pinhais, no rasgar de novas artérias e na construção de edifícios que contrastam com os até então existente, mas que, ao mesmo tempo, nos dão uma imagem da evolução de Nevogilde nos últimos 100 anos.

Cadouços marca o local de «fronteira» entre Nevogilde e S. João da Foz. Aqui a densidade populacional é maior, tal como o número de estabelecimentos comerciais, e sente-se mais facilmente o contacto entre o novo e o antigo, através dos pequenos jardins e dos espaços arborizados, das casas com 100 anos e dos prédios recentes.

A evolução dos transportes teve um papel importante para a população do interior da cidade, que através do caminho-de-ferro puxado a cavalos e do «americano» (1872) - o primeiro do país, que demorava apenas 30 minutos a ligar a Praça do Infante à Foz - passaram a frequentar assiduamente as praias.

Assim, rapidamente surgiu a ligação entre a Foz e a Praça de Carlos Alberto e, finalmente, foi introduzida a máquina a vapor, de cujo percurso ainda há vestígios na Rua do Túnel, na Ervilha e na Rua de Tânger. Na Avenida de Carreiros circulavam veículos puxados por uma ou mais parelhas de cavalos, pertencentes à Companhia Carril Americano, conhecida como Companhia de Baixo, no trajecto com início na Rua dos Ingleses (hoje Rua do Infante D. Henrique), seguindo beira-rio para a Foz do Douro e continuando para Nevogilde, Matosinhos e Leça da Palmeira.

Na Rua de Gondarém circulava o comboio conhecido como «a máquina», pertencente à Companhia Carris de Ferro do Porto, popularmente chamada de Companhia de Cima, com trajecto com início na Avenida da Boavista, seguindo para a Foz do Douro, Nevogilde e Matosinhos. Depois de deixar a Avenida da Boavista, o comboio seguia pela Ervilha, Rua das Sete Casas, Cadouços, onde existia uma toma-de-água para abastecer a caldeira da locomotiva, entrava no túnel (hoje transitável de automóvel) e continuava pela Rua de Gondarém.

Foram os britânicos que, em meados do século XIX, lançaram a moda de fechar as suas casas na cidade para irem passar uns meses à beira-mar. Como sintoma dessa realidade existe ainda a praia dos Ingleses, que era quase exclusivamente frequentada por estrangeiros, principalmente britânicos.

Mas também existiam muitos outros para quem as modas não interessavam minimamente e «iam a banhos» apenas e só para cumprir a prescrição do médico.

Recorrendo a Porto - percursos nos espaços e memórias, sabemos que a "saison" de praia se prolongava normalmente por dois meses e o mais vulgar era alugar casa, havendo famílias que se mudavam com mobílias e tudo, servindo-se para o efeito de um meio de transporte singular: o carroção. Recorria-se também ao vaporzinho (vapor Duriense) e ao burro.

A Foz era calma no Verão. Não havia muito por onde escolher em termos de diversão. De manhã tomava-se banho ou assistia-se ao espectáculo do banho colectivo. Isto somente até finais de Setembro, princípios de Outubro, e, segundo Alberto Pimentel, havia aqueles que eram mais pudicos e procuravam banhar-se de madrugada.

Num excerto de um texto delicioso, o historiador refere que «os aldeões de Cima-do-Douro (...) iam tomar banho de madrugada, ocultando-se o mais possível entre as fragas, por causa da extrema leveza do fato com que costumavam entrar na água. As mulheres vestem camisa, os homens ceroulas (...), fazem lembrar Adão e Eva cobertos por uma teia de aranha».


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Sábado, 1 de Setembro de 2007

Lordelo do Ouro - Porto

Enquadramento Histórico e Geo Social

Freguesia de Lordelo do Ouro estende-se por uma superfície de 3,4 Km2 e fica situada na parte ocidental da cidade do Porto, sendo geograficamente limitada a Norte, pela Freguesia de Ramalde; a Sul pelo Rio Douro; a Este, pelas Freguesias de Massarelos e Cedofeita e, por fim a Oeste pelas Freguesias de Aldoar e Foz do Douro. Considerada uma das freguesias periféricas da cidade Invicta, esta encontra-se bem colocada, na medida em que, estando perto do centro consegue afastar-se de todo tipo de inconvenientes característicos das grandes urbes. A primeira referência relativa á área abrangente da freguesia de Lordelo do Ouro, remonta ao século XII, mais concretamente ao ano de 1144. Pertencendo ao julgado de Bouças, Comarca da Maia do Bispado do Porto, Lordelo do Ouro é, por decreto-lei de 26 de Novembro de 1836, integrado no Concelho do Porto. Contava então, com cerca de 2.000 habitantes. Localizada no ponto de contacto entre o rio e o mar, Lordelo do Ouro era tipicamente lugar onde imperavam a marinhagem, a pesca e a construção naval como actividades principais. E de salientar que foi dos estaleiros do Ouro que saíram grande número de Naus da frota que partiu à conquista de Ceuta. Este bravo feito está testemunhado pelo monumento situado no Jardim do Calém, de autoria de Lagoa Henriques, que pretende homenagear todos os portuenses que contribuíram paro tal conquista. A esta actividade marítima deve-se também a construção de monumentos religiosos, como é o caso da Capela de Santa Catarina e a Capela setecentista de Nossa Senhora da Ajuda, construídas em locais elevados, a mando dos marinheiros, seus devotas, de forma a serem avistadas desde a entrada da barra do Rio Douro. No século XIX, Lordelo do Ouro assistiu à implementação de algumas unidades industriais de certa importância para a freguesia. Foi o caso da Companhia de Fósforos e da Fábrica de Lanifícios Lordelo, hoje desactivadas. Actualmente, Lordelo do Ouro é cada vez mais um espaço de pequeno comércio e serviços, resultante sobretudo do processo permanente de transformação do tecido económico e, fundamentalmente, uma zona residencial. Na verdade, nas últimas décadas foram aqui construídos nove Bairros de Habitação Social, que alojam cerca de 10.500 pessoas, grande parte deslocada do Centro Histórico e comercial da cidade, situação que se verifica sobretudo durante as décadas de 70 e 80, com todas as consequências decorrentes de uma mobilidade forçada. Refira-se, por exemplo, que, em 1950 a população residente em Lordelo era de 10.260, ao passo que em 1991, e de acordo com os resultados do último censo, o número de habitantes era já de 22,421.

 

 

 

 


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Quinta-feira, 30 de Agosto de 2007

Igrejas - Porto

Video de Igrejas da Cidade do Porto, com música dos Rio Grande, com a vozes de Rui Veloso,Tim, Vitorino.... cantando a "Fisga"


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Quarta-feira, 29 de Agosto de 2007

Azulejos - Porto


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Segunda-feira, 27 de Agosto de 2007

Deixa-me Viver - Contra o Aborto


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Domingo, 26 de Agosto de 2007

Capelas Cidade do Porto


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Sexta-feira, 24 de Agosto de 2007

Rui Veloso e Mariza

 

Não queiras saber de mim


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Quinta-feira, 23 de Agosto de 2007

Amor a Portugal


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Quarta-feira, 22 de Agosto de 2007

Mariza ao vivo - Primavera



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