Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

Igreja de São Pedro de Roriz - Santo Tirso

Foto: Arples


Durante décadas, a historiografia consagrou ao mosteiro de Roriz um estatuto de obra unitária e de arranque do foco românico que nasceu em torno da bacia do Rio Sousa pelo final do século XII e primeiras décadas da centúria seguinte. O estudo monográfico que Manuel Luís REAL, 1982 lhe consagrou (em parceria com Pedro Sá), revelou um edifício inteiramente diferente, com cinco fases construtivas e um estatuto bem mais diluído na mancha de edifícios românicos no Douro Litoral.

Desconhecem-se as origens do monumento e discute-se, sobretudo, a possibilidade de aqui ter-se implantado um primeiro edifício ainda durante o século IX. A opinião mais consensual coloca o impulso construtivo inicial na segunda metade do século XI, por intermédio de D. Elvira Touriz, ainda viva em 1141. Por outro lado, a primeira referência documental ao mosteiro data de 1096, dado que viabiliza aquela hipótese. Dessa primeira fase de vida do conjunto pouco resta, à excepção de algumas peças descontextualizadas, incorporadas nas paredes em reformas posteriores (um fragmento de capitel, uma imposta e duas bases).

Quase um século depois, e ainda que não exista evidente prova documental, o mosteiro foi entregue aos crúzios de Santa Cruz de Coimbra, que terão iniciado um novo capítulo na vida do conjunto, reedificando-o desde as fundações. A obra iniciou-se pela ábside, construída num só momento, datando dessa fase um vocabulário escultórico vegetalista e geométrico muito unitário e qualitativamente relevante, como se comprova pelo requinte dado às janelas do exterior, ou pelos ângulos nítidos e de bom recorte da folhagem que cobre os capitéis do interior.

A empreitada sofreu um primeiro revés quando se laborava na nave, altura em que terá caído a abóbada da ábside. Deu-se então início à segunda fase construtiva, que se supõe ter ocorrido algum tempo depois de interrompida a anterior, uma vez que os artistas agora incorporados são substancialmente diferentes. Entre os canteiros que assinam os silhares, com siglas, aparece um "IO", identificado como Ioannis, possível mestre de todo o estaleiro, pelo facto de a sua sigla ser das poucas alfabetiformes. A ele se ficou a dever a reconstrução da abóbada da ábside (para o que teve de rectificar o prumo das paredes do interior, recorrendo a dispositivos mais efectivos de contrafortagem) e o lançamento da nave, em cujo portal meridional se assiste à introdução de um motivo decorativo muito frequente no românico bracarense - o enxaquetado.

Só no 1º quartel do século XIII, e já durante a terceira fase de obras, se concluiu o prolongamento ocidental do templo, mas não o seu abobadamento. Nesta altura, as desconfianças em relação à estabilidade da capela-mor motivaram a construção de edifícios anexos como meio de contrafortagem (primeiro a Sala do Capítulo, a Sul, e depois a pequena capela do lado Norte). Esta capela, originalmente dedicada a Santa Maria, está datada por uma epígrafe de 1258, correspondente já à quarta fase de obras, e, junto ao campanário, é ainda possível identificar a assinatura do mestre responsável: MR TL - Magister Telo. O derradeiro impulso na obra ocorreu já nos finais do século XIII, quando novos canteiros, formados na oficina de Paço de Sousa, terminaram o abobadamento do corpo e o sector ocidental. Na fachada principal, a rosácea e os colunelos do portal são a mais inequívoca marca dessa filiação oficinal, mas também a escultura figurativa, introduzida em Roriz apenas nesta fase. Quadrúpedes de duplo corpo ligados pelo focinho no ângulo do capitel ou o busto que espreita de um pequeno óculo (um tema que alude ao castigo), entre outros exemplos figurativos, provam como Paço de Sousa foi o principal estaleiro da região e como os artistas aí formados se deslocaram para Roriz.

 


Texto: Paulo Fernandes | DIDA | IGESPAR, I.P. 16.07.2007


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Terça-feira, 25 de Novembro de 2008

Mosteiro de São Bento ou Santo Tirso, Cerca e Cruzeiro Processional

Foto: Maria Inês Dias - 09/10/06


Dotado de inquestionável beleza paisagística e de abundantes e diversificados recursos cinegéticos, essenciais à sobrevivência e fixação do Homem, o território correspondente, na actualidade, ao concelho de Santo Tirso possui inúmeros testemunhos da presença de comunidades humanas, desde a mais alta antiguidade.

 

De entre a multiplicidade de testemunhos edificados desta mesma existência, sobressai, sem dúvida, o "Mosteiro de Santo Tirso, Cerca e Cruzeiro Processional", localizado na própria povoação de Santo Tirso.

 

Embora já funcionasse na segunda metade do século VIII, por iniciativa de S. Frutuoso, Bispo de Dume e de Braga, ou muito antes, pela do bispo da diocese de Braga, S. Martinho de Dume (c. 518/525-579), o cenóbio - mais conhecido por "Mosteiro de S. Bento" - foi reconstruído já no século XIII, mercê do empenho de Martim Gil de Sousa, e de cuja campanha de obras remanesce apenas o claustro gótico, do tipo clunicense, do qual se destaca, ao nível térreo, a arcaria ogival que o percorre, apoiada em colunas geminadas com capitéis profusamente lavrados com motivos geométricos, antropomórficos, quiméricos, zoomórficos e vegetalistas.

 

Na verdade, o complexo que hoje observamos resulta de uma reedificação seiscentista concebida pelo arquitecto Frei João Turriano (filho de um arquitecto milanês, Leonardo Turriano), monge de S. Bento, engenheiro-mor do Reino e lente de Matemática na Universidade de Coimbra, autor de várias intervenções arquitectónicas realizadas noutros espaços religiosos.

Transpondo a entrada rasgada no alçado principal de frontão triangular com janelão tripartido e pináculos arredondados sobre as aresta e ladeado por duas torre sineiras terminadas em cúpula piramidal forrada a azulejo, acede-se à nave única coberta por ampla abóbada.

 

A par dos dois retábulos de talha setecentista, das imagens de madeira colocadas nos altares laterais, dos púlpitos da segunda metade do século XVIII e dos altares e capelas do transepto, destaca-se, no interior, a capela-mor com retábulo de talha de finais de seiscentos, ostentando imagens de S. Bento e de Sta. Escolástica, sendo iluminada por seis janelões sulcados na sua parede.

 

Quanto ao edifício do mosteiro, propriamente dito, ele apresenta frontaria inscrita no barroco bracarense, com brasão aposto no pórtico, albergando capela coberta por painéis azulejares seiscentistas, executados a azul e a amarelo, evocando a vida de Cristo, tendo o conjunto mocanal, incluindo a cerca e o cruzeiro processional, sido contemplado no primeiro documento nacional de classificação de estruturas antigas como "monumentos nacionais", datado de 1910, numa confirmação da sua importância histórica.


Texto: [AMartins] / IPPAR

 

 


Foto: Maria Inês Dias - 09/10/06


 


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Segunda-feira, 24 de Novembro de 2008

Igreja Matriz da Póvoa do Varzim

 

Foto: Retratos e Recantos


Invocada pelos poveiros como protectora dos pescadores, Nossa Senhora da Conceição veio substituir, no primeiro quartel do século XVII, a primitiva dedicação da freguesia a Santa Maria de Varzim. Por sua vez, esta encontrava-se já autonomizada da paróquia de Argivai desde, pelo menos, a primeira metade do século XVI, e a sua primitiva ermida, românico-gótica, dedicada ao Apóstolo São Tiago, havia sido objecto de uma campanha de obras quinhentista.

O templo que hoje conhecemos foi inaugurado em 1757, e à sua edificação encontram-se ligados os nomes de importantes arquitectos, como é o caso de Manuel Fernandes da Silva. Natural de Braga, este mestre pedreiro foi responsável por intervenções arquitectónicas em edifícios tão significativos como o Hospital de São Marcos ou a Igreja e Nossa Senhora do Pópulo, em Braga. A obra da Póvoa de Varzim foi arrematada em 1742, sob projecto de Manuel Fernandes da Silva, lançando-se a primeira pedra a 18 de Fevereiro do ano seguinte. A sua morte, em 1751, levou à contratação de novos mestres pedreiros, a saber, Domingos da Costa, José Fernandes Lucas e João Moreira, que dirigiram as obras até à sua conclusão, embora todo o edifício estivesse já em fase adiantada.

A fachada, definida por pilastras, divide-se em três panos, correspondendo os dos extremos às torres sineiras que enquadram o corpo central. Aqui, abre-se o portal principal, encimado pelo brasão régio a que se sobrepõe um nicho flanqueado por aletas, que exibe a imagem de Nossa Senhora da Conceição. Ladeiam-no duas janelas com frontões triangulares interrompidos. Após a cimalha, esta secção é rematada por um frontão de aletas, contracurvado, com cruz na empena.

No interior, de nave única coberta por abóbada de berço, e com transepto pouco profundo, ganham especial relevância os nove altares de talha dourada, barroca e rococó, boa parte dos quais de invocação mariana. Na verdade, a iconografia do templo denota a unidade e a importância do culto da Virgem nesta localidade, pois são em grande número as imagens de Nossa Senhora. Também no retábulo-mor, de talha rococó, a tribuna é preenchida por uma tela representando a Imaculada. Para além do já referido Manuel Fernandes da Silva, outro artista bracarense parece estar ligado à matriz da Póvoa: André Soares, a quem Robert Smith atribuiu o risco dos retábulos.

Uma referência ainda para José Rodrigues, também natural de Braga, que executou os sinos, em número de cinco, segundo contrato com data de 1753.

A arquitectura barroca, onde já se percebe a emergência de uma linguagem de características rococó, impera neste amplo templo, que domina o largo onde se encontra implantado, marcando a vocação marítima da cidade e a protecção de Nossa Senhora às gentes do mar, em complementaridade com a capela existente na fortaleza.

 

Texto: (Rosário Carvalho) / IPPAR


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Domingo, 23 de Novembro de 2008

Solar dos Carneiros - Póvoa do Varzim


O edifício situada na Rua do Visconde e na Rua da Amadinha, conhecido por solar dos Carneiros, é a única casa brasonada existente na Póvoa de Varzim. A sua longa fachada, onde se exibe o brasão de armas da família, desempenhou um papel fundamental no tecido urbano e sócio-económico da Póvoa, vincando a imagem de poder e de relevo social que os seus proprietários pretendiam transmitir.


A sua construção remonta ao século XVIII, inserindo-se num dos modelo mais utilizados na arquitectura civil de Setecentos, a denominada casa comprida. O brasão, no andar nobre, é flanqueado por duas janelas marcando o eixo deste corpo da fachada, com janelas de sacada no piso superior, e no térreo, duas portas e janelas de linhas rectas, alinhadas pelo friso que separa os dois pisos.


No interior, e para além de um tecto de masseira, original, destaca-se a capela, com altar de talha policroma, a imitar marmoreados.
Quando, em 1936 se realizou a 1ª Exposição Regional de Pesca Marítima, um dos seus impulsionadores, António dos Santos Graça, decidiu prolongar esta iniciativa e promover a organização de um Museu Municipal, que veio a ser inaugurar no ano seguinte, no solar dos carneiros, com as peças da Exposição e outras entretanto reunidas.


A Câmara Municipal adquiriu o imóvel em 1974, promovendo, a partir de então, obras de remodelação e ampliação, que estavam concluídas em 1985, data da reabertura ao público do renovado Museu de Etnografia e História.


 
Texto: (Rosário Carvalho) / IPPAR

Foto: DGEMN: DSID


 


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Sábado, 22 de Novembro de 2008

Edifício da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim

Foto: PedroPVZ - 23/06/05


No Norte do país e, mais precisamente, na cidade do Porto, o gosto neoclássico surge bastante cedo (último terço do século XVIII), por influência da comunidade inglesa aí estabelecida, o que explica a presença, pelo menos numa primeira fase, de uma via estética palladiana, tão significativa no contexto arquitectónico da própria Inglaterra. Neste âmbito, o projecto do Hospital de Santo António (ainda que apenas parcialmente construído) veio a revelar-se fundamental para o desenvolvimento da arquitectura civil portuense, estabelecendo uma nova linguagem que se opunha ao barroco de Nasoni, que até então caracterizava a cidade e toda a região. Ou seja, o Porto soube tirar partido da presença da colónia inglesa, fomentado um gosto que conferiu um pendor erudito à renovação arquitectónica da cidade neste período.

Contudo, a nova linguagem de origem britânica acabou por se estender à região circundante, sendo vários os exemplos patentes noutras cidades nortenhas. Entre estes, encontra-se a arcaria da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, um projecto concebido pelo arquitecto Reinaldo Oudinot, nos anos de 1790-91. Oudinot trabalhou no Porto (desenhou o Quartel de Santo Ovídio), cidade para onde foi chamado por Francisco de Almada e Mendonça, que terá sido também o responsável pela encomenda da Póvoa de Varzim.

Este edifício destaca-se pela arcaria em cantaria de junta fendida ou rusticada, e registo superior rasgado por janelas rectangulares no eixo dos arcos, numa composição que recorda o imóvel da Feitoria Inglesa, cuja construção teve início em 1785, sob projecto de John Whitehead.

Ambos os edifícios se inserem na já referida corrente neopalladiana, caracterizada por um desenho austero, onde a decoração é praticamente nula. Muito embora a leitura da platibanda recta que remata o imóvel seja interrompida, ao centro, por um imponente brasão com as armas reais. Num plano posterior, ergue-se a torre do relógio, de planta rectangular. Nesta medida, os azulejos (azuis e brancos) que revestem a zona superior da frontaria, envolvendo as janelas, são uma obra já do século XIX.

 Texto: (Rosário Carvalho) / IPPAR


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Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008

Igreja de Nossa Senhora das Dores - Póvoa de Varzim

A actual invocação remonta ao século XVIII, uma vez que, até aí, a ermida era dedicada ao Senhor Crucificado, e designada por Senhor do Monte, por se encontrar num local ligeiramente elevado. A consagração a Nossa Senhora das Dores deve-se à devoção dos estudantes de Gramática Latina, que se organizaram de forma a obter financiamento para encomendar uma imagem de Nossa Senhora, o que aconteceu com a ajuda dos moradores. Esta, foi então colocada na ermida do Senhor do Monte a partir de 24 de Julho de 1768, data em que o Arcebispo concedeu autorização para tal. Seguiu-se a criação de uma confraria e o início daquela que foi uma longa campanha de obras, que visou remodelar a antiga ermida.

O início de edificação, com planta hexagonal, ocorreu em 1779, sob a supervisão do padre José Pedro Baptista, pertencente à confraria. Em 1880, estaria terminada, pois data desse ano a execução do retábulo de talha, por Manuel Alves Couto, de Landim. A fachada, contudo, era bastante diferente daquela que hoje conhecemos. Dividida em três panos, com os laterais recuados e abertos por janelas de sacada, exibe, ao centro, um portal coroado por frontão interrompido, a que se sobrepõe uma ampla janela. O alçado é percorrido por uma cimalha, curva no pano central. É a partir deste elemento que se verificam as diferenças, uma vez que os corpos laterais deveriam corresponder a duas torres que nunca foram terminadas devido às resistências dos arquitectos, que as consideravam excessivamente estreitas. A solução encontrada foi a de edificar apenas uma torre central, sugestão apresentada em 1805 pelo arquitecto portuense Joaquim da Costa Lima e Sampaio. Contudo, tal só foi aceite pela Confraria em 1812, erguendo-se em dois registos, no eixo do portal. É percorrida por balaustrada e rematada por cúpula. Os corpos correspondentes às antigas torres são encimados também por balaustrada. Assim, e apesar das múltiplas condicionantes, parte das quais por falta de verbas, a igreja de Nossa Senhora das Dores ficou concluída no início do século XIX, denotando, na sua dinâmica e ritmos, uma linguagem arquitectónica e decorativa que se aproxima do gosto barroco.

No interior, e para além do já mencionado retábulo, ganha especial relevância o conjunto de azulejos da capela-mor, aplicados na década de 1870, e que se dividem em dois registos - de padrão "ponta de diamante" no primeiro e figurativos no segundo. Na nave, as capelas abrem-se em arco de volta perfeita e as paredes são, também, revestidas por azulejos de padrão.

No exterior, a iconografia de Nossa Senhora das Dores foi complementada, em 1886, pela construção de seis capelas de reduzidas dimensões, alusivas às dores da Virgem.


Texto: (Rosário Carvalho) / IPPAR

Foto: Poveirinho - 2006


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Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008

Pelourinho de Rates - Póvoa do Varzim

A antiga povoação de São Pedro de Rates estava situada na confluência de vários eixos viários importantes desde o domínio romano, e fazia parte de um itinerário compostelano. Não se lhe conhece foral velho, mas era já concelho no século XIII, tendo recebido foral novo de D. Manuel em 1517. Foi extinto em 1836, e integrado na Póvoa de Varzim. O seu pelourinho, testemunho da passada autonomia, ergue-se ainda na localidade, diante dos antigos edifícios da Casa da Câmara, e junto da capela oitocentista de Nossa Senhora da Praça.

O pelourinho é constituído por um soco de três degraus de secção circular, bastante altos, estando embora o térreo, formado por blocos desconjuntados, parcialmente embutido no pavimento (de lajes de cimento). Os dois degraus superiores são semelhantes a grossas mós, e o último destes serve igualmente de base à coluna, que nele encaixa. Esta tem fuste cilíndrico e liso, cingido a meia altura por um estreito anel em ferro. O capitel é um singelo bloco cilíndrico, encimado por anelete rebordante. O remate consta apenas de um tronco cónico alongado, onde se crava uma pequena cruz em ferro, com longa haste inferior. O conjunto é provavelmente quinhentista.


 

Texto: SML / IPPAR

Foto: Paulo Almeida Fernandes/2006


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Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

Conjunto de Edificios na Rua do Passeio Alegre - Foz do Douro - Porto

Fotos: IPPAR


 

Distribuído entre a Rua de Santa Anastácia e a Capela de Nossa Senhora da Lapa, e perfazendo o lado Norte do "Passeio Alegre", o "Conjunto de imóveis na Rua do Passeio Alegre" destaca-se pela sucessão de moradias erguidas entre os séculos XIX e XX, em cujos alçados exteriores é possível observar o apuro dos mestres canteiros e o da aplicação de elementos férreos, perfeitamente enquadráveis na denominada "Arquitectura de Ferro" da época, como sucede no suporte de coberturas e alpendres de varandas.

A variedade revelada pela composição das fachadas em nada desmerece o efeito harmonioso que transmite, alcançado pela forma como a escala do local onde se ergueu o casario foi respeitada pelo risco dos respectivos autores, conferindo-lhes, por conseguinte, uma imagem de unidade estética.

O conjunto, assim obtido, revela a essência de uma parte da sociedade portuense em pleno processo de afirmação burguesa, ao mesmo tempo que o modo como se enquadrava nos modelos arquitectónicos prevalecentes noutros países. São disso bom exemplo as moradias de expressão revivalista romântica, bem presente, ademais, nos jardins correspondentes, ao lado de chalets construídos segundo a gramática construtiva e, sobretudo, decorativa da "Arte Nova".

Não obstante, houve, nalguns casos, a preocupação de aliar estas influências exógenas a tradições construtivas e decorativas tradicionais, como se verifica no modo como se rasgaram janelas emolduradas a granito, bem como no revestimento azulejar de algumas fachadas.


Texto: [AMartins] / IPPAR


publicado por MJFSANTOS às 06:31
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Terça-feira, 18 de Novembro de 2008

Edificio na Rua Ten. Valadim - Póvoa do Varzim

A arquitectura Arte Nova em Portugal pautou-se, na grande maioria dos casos, por manifestações como as que podemos observar neste prédio da Póvoa do Varzim. Sem a unidade conferida por um projecto global, a nova arte evidenciou-se, essencialmente, na superfície das fachadas, em painéis de azulejo cujos motivos eram desenvolvidos de forma natural e "orgânica". A mesma linguagem surgiu, também, nas grades de ferro forjado, que protegiam as varandas, ou ainda noutros elementos decorativos que, no seu todo, confluíam para emprestar aos prédios do final de novecentos e início do século XX uma modernidade aparente e um eclectismo que denunciava, em última análise, a encruzilhada da arte portuguesa de então.

É, pois, neste contexto, que o n.º 73 da Rua Tenente Valadim deve ser entendido. Trata-se de um edifício de dois andares, ambos abertos por dois vãos, mas beneficiando o primeiro piso de um tratamento superior. Este, é percorrido por uma grade de ferro, com motivos enrolados, que define a varanda, apoiada sobre mísulas com remates em flor. O edifício termina numa composição de linhas rectas, e em forma de trapézio, moldurado.

Assim, ganham especial relevância na animação deste alçado os painéis de azulejo, aplicados entre as janelas de sacada e no friso que se lhes sobrepõe. Ambos desenham motivos florais em tons de rosa e verde, sobre fundo amarelo, mas o segundo é interrompido, ao centro, pela figuração de um pavão, um dos animais preferidos pela linguagem Arte Nova.

Em todo o caso, o carácter Arte Nova deste edifício contrapõe-se a determinados pormenores, como o desenho dos elementos que flanqueiam as janelas superiores, cujo espírito rectilíneo se aproxima de um gosto Art Déco. Nesta medida, é possível que a edificação deste imóvel seja um pouco mais avançada, correspondendo, muito possivelmente, à segunda década do século XX.


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Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

Igreja ou Capela da Lapa - Póvoa do Varzim

 


Fundada em 1772, a Capela da Lapa foi mandada edificar pela comunidade piscatória de Póvoa de Varzim para servir de local de acolhimento dos pescadores e das suas famílias.

Era neste templo que estava sediada a Real Confraria de Nossa Senhora da Assunção, padroeira dos pescadores a partir de 1792, que foi criada sobretudo para prestar assistência às famílias que viviam da pesca.

De feição barroca, o templo apresenta na fachada uma torre sineira de grandes dimensões, edificada lateralmente, e portal de moldura simples sobrepujado por janelão. O conjunto é rematado por frontão triangular.

O edifício destaca-se sobretudo pela singularidade da fachada posterior, fronteira à praia. Aí a comunidade piscatória mandou construir um farol, agora desactivado, que durante anos serviu de guia, albergando uma imagem de Nossa Senhora da Lapa e um painel evocativo da tragédia que em Fevereiro de 1892 marcou os pescadores da Póvoa de Varzim.


Por: Catarina Oliveira - GIF/IPPAR/ 10 de Novembro de 2006

Mais Informações em: pt.wikipedia

 


Fotos: Poveirinho 2007


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