Sábado, 22 de Setembro de 2007

António Rebordão Navarro

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António Rebordão Navarro

Nascimento: 1933 Porto
País: Portugal
 
 
Escritor português natural do Porto. Licenciou-se em Direito, tendo exercido advocacia primeiro na província e, mais tarde, naquela cidade nortenha. Foi director da revista Bandarra, fundada pelo pai, o escritor Augusto Navarro, em 1953, e da revista Notícias do Bloqueio. Na sua obra ficcional, repartida pelo romance, conto e impressões de viagem, retrata ambientes de província, caracterizados pela opressão e pela estreiteza de horizontes. Disso são exemplo os romances Um Infinito Silêncio (1970), que descreve aspectos da vida portuense ou ambientes bizarros e exóticos, como Macau, e As Portas do Cerco (1992).
Na sua obra, Rebordão Navarro apresenta quase sempre uma visão sarcástica e irónica da realidade. A sua poesia, reunida no volume A Condição Reflexa (1989), recorre constantemente à vivência do quotidiano, a que
 não é alheia a influência do neo-realismo da década de 50, altura em que António Rebordão Navarro publica os seus primeiros livros de poemas. Dedicou-se também à escrita de peças teatrais, das quais se destaca O Ser Sepulto (1995), peça que denota a influência do teatro do absurdo. Outras obras importantes do autor no domínio da ficção são as narrativas O Discurso da Desordem (1972), O Parque dos Lagartos (1982), Mesopotâmia (1985, Prémio Miguel Torga), Praça de Liège (1988, Prémio Círculo de Leitores), Dante Exilado em Ravena (1990) e Parábola do Passeio Alegre (1995)
 
 
POEMAS
 
A menina pó de arroz
 
A menina pó de arroz,
Nascida à beira do mar
Com o oceano nos olhos
E com sorrisos de lua
Nos seus lábios pequeninos
Que nunca ninguém beijou,
A menina pó de arroz,
Com seus cabelos de cobre
Onde o vento vem brincar,
Assoma à sua janela
P'ra ver a noite estrelada,
Para ouvir os sons da noite,
Para beber o luar.
Para ter em suas mãos
Macias, longas e brancas,
A noite tépida e branda,
A velha noite calada.
A menina pó de arroz,
Que por uma abreviatura
Do seu nome arrevesado
É chamada entre família
Por um nome miudinho
De marca de pó de arroz,
Com seu corpinho de fada
Que saiu de alguma fonte
Que há pouco perdeu o encanto,
Com a cabeça nas mãos,
Enquanto na casa dormem,
Veio pôr-se na janela
Para que a noite a beijasse.
A menina pó de atroz
Estará enamorada?
Apenas corpos à flor da terra
 
Deixem que a noite passe sobre os nossos corpos,
gorda de ventos e manchada de estrelas
a perguntar de novo pelos filhos,
a acenar com asas de aviões distantes,
a abrir luzes fantásticas nas ruas,
a dançar nua e negra como os deuses selvagens.

Seremos indiferentes como espelhos,
solenes como árvores antigas, horizontais, sólidos e surdos
aos seus gritos de guerra e às falsas músicas
que nos possa trazer.
Apenas corpos à flor da terra
sabemos de cor as curvas e os tons, um sinal,
uma rosa entre os dedos, uma cicatriz funda,
um pássaro na testa da nossa geografia
humana e comovente.
Apenas corpos à flor da terra
ao sol nos abriremos de mãos dadas.
 
A vida sem palavras
 
Entre riso e sangue, 
cabeça e espada,
entrada e saída,
flor e escarro,
sempre a vida,
a vida sem mais nada,
entre estrela e barro.

Entre homens e bichos,
entre rua e escadas,
entre grito e nojo,
a vida com seus lixos
e mãos violadas,
entre mar e tojo. 

Entre uivo e poema, 
entre trégua e luta,
vida no cinema,
no café, na cama,
vida absoluta.

publicado por MJFSANTOS às 11:05
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