Terça-feira, 6 de Maio de 2008

Porto: Bolhão começou já a ser ouvido na Assembleia da República

 

Porto, 06 de Maio (Lusa) - O arquitecto Correia Fernandes considera que "correu bastante bem" a primeira das audições da Comissão do Poder Local da Assembleia da República (AR) sobre o polémico projecto para o Mercado do Bolhão, no Porto.

 


 

Correia Fernandes foi hoje ouvido por aquela comissão durante mais de duas horas, juntamente com o arquitecto Joaquim Massena e dois comerciantes. Todos eles são opositores declarados do plano que a Câmara Municipal do Porto tem para aquele histórico mercado.

Todos eles, por outro lado, são os primeiros subscritores de uma petição entregue a 27 de Fevereiro na Assembleia da República, visando "impedir que o mercado do Bolhão se perca, dando lugar a mais um shopping". E foi nessa qualidade que a Comissão do Poder Local os ouviu.

Vão seguir-se outras audições parlamentares, podendo a próxima ser a "19 de Maio, no Governo Civil do Porto". É pelo menos esta a expectativa do deputado Fernando Jesus, do PS, enquanto membro da referida comissão.

Jesus disse ainda à Agência Lusa que na próxima audição serão ouvidos o Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico e a TramCroNe (TCN), empresa holandesa que venceu o concurso camarário para a remodelação do Bolhão.

Hoje, deputados do PS, PSD, CDU e Bloco de Esquerda escutaram os argumentos apresentados por Correia Fernandes, Joaquim Massena e os comerciantes Hélder Francisco e Miguel Mendonça. O CDS, através de Diogo Feio, explicou que não podia estar presente.

Massena, recorde-se, é o autor de um projecto que a Câmara do Porto aprovou para o mercado há cerca de 15 anos. A ideia era remodelar um edifício que já apresentava sinais claros de degradação mas o projecto acabou por ser abandonado, alegadamente devido ao custo elevado das obras necessárias.

Correia Fernandes saiu da audição convicto de que "a Comissão tomou boa nota" dos argumentos que lhe foram expostos. O arquitecto deu como exemplo o facto de a Comissão pretender conhecer um relatório do Laboratório Nacional de Engenharia Civil sobre o Mercado do Bolhão.

Esse relatório foi feito há poucos anos e terá concluído que o edifício não corria perigo de colapso, ao contrário do que temia a autarquia portuense. O mercado precisa de ser "reabilitado e não demolido", defendem aqueles que, como Correia Fernandes, se opõem à intervenção proposta TCN e aprovada pela Câmara.

O "novo" Mercado do Bolhão, segundo o projecto daquela empresa vai manter a traça original e partilhar a área comercial tradicional com novas lojas, estacionamento subterrâneo e habitação no último piso.

Correia Fernandes reafirma que o Plano Director Municipal do Porto classifica o mercado como "equipamento municipal", ou seja, "nem sequer pode ter habitação". Para que tal seja possível, sublinha, "seria preciso alterar o PDM".

A Câmara do Porto e a TCN aguardam entretanto que o tribunal se pronuncie sobre uma acção interposta pela autodenominada Plataforma Cívica, visando impedir que o projecto para o Bolhão seja executado. A Plataforma agrupa várias instituições portuenses unidas pela defesa do património da cidade.


AYM/RTP

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
2008-05-06 23:15:02



publicado por MJFSANTOS às 23:59
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Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2008

Mercado do Bolhão

SALVEM O MERCADO DO BOLHÃO

Há cerca de dois séculos, o terreno onde foi erguido o típico "Mercado do Bolhão", naquele que é considerado como o verdadeiro epicentro da baixa portuense, mais não seria do que um lameiro pertencente à quinta aí existente, propriedade dos condes de S. Martinho, da qual restaram pouquíssimos vestígios. O nome pelo qual é largamente conhecido derivará, tanto das características do solo, quanto da existência, nas suas imediações, de uma bica designada, precisamente, de "Fonte do Bolhão".
Apesar da Câmara Municipal do Porto o ter mandado construir logo em 1837, numa altura em que, por ordem do arquitecto e professor da Academia de Belas Artes do Porto, Joaquim da Costa Sampaio Lima (?-1864), se atribuíam os lugares no "Mercado Interno do Bolhão", foi apenas em 1851 que se iniciou a sua edificação no mesmo local onde já funcionava um mercado constituído por estruturas ainda demasiado precárias e transitórias, num momento em que uma das artérias mais movimentadas da cidade - a Rua Sá da Bandeira - começava a ser rasgada. Na verdade, existia, no local fronteiro, uma importante fábrica de estamparia e uma fundição, demolidas na sequência de um grande incêndio deflagrado nas suas instalações. E foi neste lugar que se ergueu uma série de edificações de carácter mercantil, em grande parte pertencente aos mais influentes industriais de Riba de Ave.
Situado na freguesia de Santo Ildefonso, o mercado foi transformado no que é hoje pelo arquitecto António Correia da Silva em plena 1.ª Grande Guerra Mundial, entre 1914 e 1917, depois de, em 1910, o ante projecto do Eng.º Casimiro Barbosa ter sido aprovado. Foi, por conseguinte, levantado durante a primeira vereação republicana presidida pelo conhecido negociante portuense Elísio de Melo, a quem a cidade do Porto ficou a dever alguns dos seus mais arrojados projectos de urbanização (como a abertura da Avenida dos Aliados), entre os quais os próprios Paços do Concelho, também eles a merecerem um risco inicial daquele mesmo arquitecto.
Ocupando todo um quarteirão, o "Mercado do Bolhão" apresenta planta rectangular alongada, com linhas arquitectónicas e gramática decorativa de fundo neoclássico tardio, algo aproximado às do arquitecto José Marques da Silva (1869-1947), como a "Estação de S. Bento", não só na linguagem arquitectónica como na própria monumentalidade exibida que, no caso do mercado, será acentuada pelos torreões colocados nas esquinas. Ademais, o facto de ambos terem cursado em Paris poderá explicitar a forte influência exercida pela denominada arquitectura da École de Beaux Arts nas suas respectivas opções estéticas.
Entra-se no interior do edifício pela fachada principal voltada a Sul que ostenta, a rematá-la, um frontão com um brasão ladeado por esculturas de pedra atribuídas a Bento Cândido da Silva, personificando o comércio e a agricultura. Desenvolvido, basicamente, em torno de um chafariz com quatro bicas, o mercado apresenta dois pisos interligados por diversas escadarias, além de um amplo pátio central subdividido em dois espaços exteriores através de uma galeria coberta, construída já nos anos quarenta.


 

VISITE O SITE DE MANIFESTO CONTRA A DEMOLIÇÃO DO MERCADO DO BOLHÃO

http://manifestobolhao.blogspot.com/

 

 


 

Texto: IPPAR


publicado por MJFSANTOS às 12:33
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