Sexta-feira, 9 de Maio de 2008

Capela de São Francisco - Freamunde - Paços Ferreira

 


 

De acordo com os poucos dados disponíveis, no início do século XVIII já existia uma pequena ermida ou oratório dedicado a São Francisco, onde funcionava uma confraria, que dispunha de alguns recursos. Não se sabe, todavia, em que data esta foi instituída, nem a que época remonta o primitivo oratório, cuja expressão e importância não é possível determinar. Apenas é possível perceber que esta primeira construção foi demolida em 1734, para dar lugar à capela que hoje conhecemos, oficialmente sagrada em 1743. No lintel da porta, a data de 1737 corresponde, muito possivelmente, à conclusão dos trabalhos de pedraria, prolongando-se, nos anos seguintes, a campanha decorativa do interior.
A fachada principal, com pilastras nos cunhais, encimada por um pináculo e, do lado oposto, pela torre sineira, termina em empena interrompida por um brasão encimado por cruz. Ao centro, abre-se o portal de verga curva, com cornija saliente e frontão triangular interrompido pelo nicho que, por sua vez, é flanqueado por duas janelas de linhas rectas. No tímpano, e beneficiando de um maior destaque, encontra-se o emblema da Irmandade. A sineira é coroada por um frontão de volutas. Tal como nas restantes fachadas, também a principal é caracterizada por uma enorme depuração, numa arquitectura chã que concentra no eixo vertical do portal os elementos de maior decorativismo e simbolismo.
No interior, de nave única e capela-mor rectangulares, revestem-se de especial interesse os diversos elementos de talha dourada e polícroma e, em particular os retábulos colaterais, cortando os ângulos da nave e o retábulo-mor. É possível que todos estes trabalhos sejam já de época posterior, uma vez que acusam alguma depuração mais próxima de um gosto neoclássico. O tecto, em estuque, exibe motivos geométricos.
Após a reconstrução da igreja teve início a obra da Casa-Hospício, entregue à Ordem Terceira de São Francisco. Esta liga-se ao templo através de um muro com merlões aberto por dois portões, e o seu edifício pauta-se por um enorme despojamento.
Este conjunto arquitectónico forma um adro no qual se encontra o cruzeiro, aqui implantado desde 1992.


 


 

Texto: IPPAR - (Rosário Carvalho)

publicado por MJFSANTOS às 01:52
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Sábado, 3 de Maio de 2008

Igreja de São Pedro de Ferreira - Paços de Ferreira



As origens do Mosteiro de São Pedro de Ferreira não estão, ainda, devidamente esclarecidas. Ao que tudo indica, o local possui uma longa história de ocupação, que remontará à época romana, mas, até agora, o conjunto não foi alvo de uma desejada intervenção arqueológica, que permita esclarecer esta e outras dúvidas. De acordo com Manuel Luís Real, que mais e melhor estudou este monumento, Ferreira aparece referida na documentação desde o século X, sendo muito provável que, logo no chamado repovoamento de Afonso III, se tivesse edificado um primeiro estabelecimento.

Os vestígios materiais mais antigos reportam-se aos finais do século XI, ou inícios do seguinte, e possuem outros paralelos no Douro Litoral. Sabemos, assim, que antes do actual edifício, outro existiu, com características estilísticas comuns a diversas igrejas da região, em particular as primeiras fases de Paço de Sousa, Travanca ou Manhente. Desse núcleo fazem parte diversos fragmentos, como restos de frisos em bilhetes, aduelas de entrançados, capitéis, etc., que ajudam a compreender o âmbito artístico desta primeira obra românica.

A actual igreja não foi começada antes dos finais do século XII. Em 1281, o mosteiro passou para a posse dos Beneditinos, que empreenderam, então, a construção que ainda hoje vemos. Apesar da datação relativamente tardia, e das proporções da sua igreja (que temos de considerar modestas), o conjunto constitui um dos nossos mais interessantes monumentos românicos, em especial pelos referentes regionais artísticos que confluíram no seu estaleiro. A marcha das obras terá sido bastante rápida, não se identificando rupturas no processo construtivo, o que poderá indicar uma situação de desafogo económico pouco comum na época.

Tipologicamente, trata-se de um templo de nave única, segmentado em quatro tramos, com capela-mor mais baixa que o corpo, dotada de duplo tramo, sendo o último semicircular. No exterior, manifesta-se, já, algum requinte construtivo, como o recurso a contrafortes nos pontos de apoio dos tirantes do telhado da nave (situação que se justifica pela sua grande altura), a utilização de bandas lombardas a todo o redor ou a disposição do portal principal, em desenvolvido e saliente gablete. No interior, sobressai a solução dada à capela-mor, com dois andares de arcarias, que integram três janelas fenestradas (em posição harmónica) e as restantes cegas, precedendo uma abóbada de cinco faces.

Manuel Real identificou três correntes essenciais para o singular produto aqui conseguido. As duas primeiras são uma constante da nossa arte românica e representam os dois principais focos de influência artística então em voga: Braga e Coimbra. À tradição bracarense deve-se o antigo tímpano (que seria idêntico ao de Unhão), mas também numerosos capitéis (em particular os do portal Sul), as impostas vegetalistas com cabeças humanas nos ângulos, ou os frisos cordiformes da ábside e do portal ocidental. À tradição conimbricense, por outro lado, atribui-se os capitéis exteriores da ábside e as arcaturas geminadas do interior da capela-mor, cujos toros, em alguns casos, diédricos, fazem com que as dominantes do românico coimbrão tenha chegado a Ferreira passando pela Catedral do Porto, onde sabemos terem trabalhado homens formados nos grandes estaleiros da cidade do Mondego.

Mas a Ferreira chegou um terceiro foco de realização: Zamora. As extremas semelhanças do portal principal da nossa igreja para com o Portal del Obispo da catedral zamorana (obra depois repetida em outras obras daquela região espanhola) denunciam a actividade de um mestre formado em Castilla la Mancha, ao mesmo tempo que outros canteiros de formação portuguesa laboravam no conjunto.

Terminada a obra, Ferreira foi também o ponto de partida para outro núcleo estilístico, baptizado de "Românico nacionalizado" por Manuel Monteiro, que caracterizará toda a primeira metade do século XIII no interior da região do Porto.



Fonte: IPPAR - PAF


publicado por MJFSANTOS às 10:16
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