Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008

IGREJA DE S. FRANCISCO DE AZURARA - VILA DO CONDE

Foto: cmviladoconde


As origens do convento de São Francisco de Azurara permanecem, ainda hoje, por esclarecer, não sendo possível confirmar a tradição sobre a eventual permanência nesta localidade dos templários, no local onde depois se ergueu o convento dos Capuchos. Certo é que esta instituição conventual existia já em 1518, mantendo-se como Casa de Noviços até 1588. Nesse ano, a ruína em que se encontrava levou à transferência dos noviços para São Frutuoso, em Braga, onde permaneceram até 1677. De facto, não sabemos como eram as primitivas instalações, que foram objecto de uma reedificação, iniciada em 1591.

As obras no convento prolongaram-se durante várias décadas e, em 1674, há notícia da demolição da igreja. As suas obras ficaram concluídas, apenas, entre 1750 e 1755, anos em que foram terminados o coro e a fachada, e colocadas as imagens nos respectivos nichos. O templo é antecedido por uma galilé, formada por três arcos de volta perfeita (de maiores dimensões o central) a que se sobrepõem dois nichos e, ao centro, uma janela para iluminação do coro alto. Entre o arco e esta última, encontra-se, em local de grande evidência, o brasão da Ordem. Remata o frontispício um frontão contracurvado, cujo nicho aberto ao centro do tímpano exibe a imagem de Nossa Senhora dos Anjos, a quem o templo foi dedicado. O corpo lateral corresponde ao acesso da sacristia, apresentando uma torre sineira de duplo sino, como remate. Será este o sino aí colocado em 1731, ano em que se procedeu à execução do próprio campanário, uma vez que o novo não cabia no espaço do antigo, cita documento do Cartório do Convento, do Arquivo Distrital do Porto).

No interior, o templo desenvolve-se em nave única com capela-mor rectangular. Apresenta dois púlpitos de talha dourada e, no coro alto, o cadeiral com três dezenas de lugares foi acrescentado em 1755. O altar-mor, também de talha dourada, exibe a imagem da invocação do templo, na tribuna (executada pelo entalhador João Correia da Silva), ladeada pelas de São João e de Santa Ana.

No corpo da igreja situam-se os altares de São Francisco e Santo António, com as respectivas imagens dos santos franciscanos. Contudo, a capela de maior importância é a de São Donato, mártir de grande devoção por parte dos mareantes, e cujo corpo, "inteiro e incorrupto", foi trazido de Roma por Frei Francisco de Azurara, e depoistado nesta igreja a 28 de Abril de 1757. A capela, erguida a expensas do referido frade, ficou concluída em 1760, conforme se pode ler em duas inscrições existentes neste espaço.

Com a extinção das ordens religiosas, o convento de Azurara foi vendido a José Monteiro da Silva, natural de Vila do Conde que, mais tarde duou o imóvel a Ezequiel Carneiro Pizarro Monteiro, família na qual o convento se manteve até 1930, ano em foi novamente vendido. Actualmente e, desde 1990, é propriedade da Ordem Terceira de São Francisco de Azurara.

 

Texto: (Rosário Carvalho) /  IPPAR


Foto: cmviladoconde


 


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Terça-feira, 11 de Novembro de 2008

Igrteja de São Francisco - Porto

A chegada dos frades franciscanos à cidade do Porto aconteceu praticamente ao mesmo tempo que o estabelecimento da ordem nas cidades mais populosas do Sul do país (Lisboa e Santarém), estando a sua presença na cidade da foz do Douro testemunhada logo em 1223. A construção da sua igreja iniciou-se, ao que tudo indica, em 1244, mas as resistências por parte das autoridades religiosas tradicionais da cidade e a eventual falta de apoio financeiro, determinaram que as obras se tivessem arrastado por todo o século XIII e que o resultado final tenha sido um templo modesto, de dimensões reduzidas e, muito provavelmente, de uma só nave (BARROCA, 2002, p.51).

No reinado de D. Fernando, monarca que concedeu particular protecção aos franciscanos, procedeu-se à construção do templo que hoje subsiste. As obras iniciaram-se já no ano da morte do rei, em 1383, e prolongaram-se pelos primeiros anos do século XIV, entrando, muito provavelmente, pela segunda década.

Pretendeu-se, acima de tudo, dotar a instituição de condições mais favoráveis à sua acção, pelo que se ampliou consideravelmente a anterior igreja. O resultado foi um templo de três naves de cinco tramos, transepto saliente e profusamente iluminado e cabeceira tripartida, com capela-mor mais profunda e cintada por grossos contrafortes. O modelo planimétrico adoptado não foi mais que o já ensaiado em variadíssimos templos góticos do país, a partir do gótico mendicante do século XIII. Mas a obra de São Francisco do Porto possui uma marca regional importante, que ajuda a caracterizar o Gótico nortenho da transição para a dinastia de Avis. Sintoma disso mesmo é o "lacrimal decorado com bolas" na parte superior das frestas da capela-mor (BARROCA, 2002, pp.52-53), elemento que prova uma certa influência galega na região Norte do país por esta altura.

Nos séculos seguintes, a igreja de São Francisco do Porto foi objecto de várias campanhas artísticas. Ainda do século XV, do reinado de D. João I, é a pintura mural alusiva à Senhora do Rosa, obra atribuída a António de Florentim e uma das mais antigas pinturas murais conservadas no país. Da década de 30 do século XVI data a Capela de São João Baptista, desenhada por João de Castilho e que constitui um dos momentos-chave na evolução deste que foi um dos principais arquitectos do ciclo manuelino.

Mas a principal campanha moderna da igreja de São Francisco foi efectuada na época barroca, remodelação que confere ao interior do templo, ainda hoje, o estatuto de igreja forrada a ouro. Com efeito, nos inícios do século XVIII, todo o interior, engrandecido ao longo da centúria anterior, foi objecto de uma remodelação radical, construindo-se, então, os principais retábulos de talha dourada. O retábulo-mor, dedicado à Árvore de Jessé, foi reformulado entre 1718 e 1721 por Filipe da Silva e António Gomes, sobre uma obra pré-existente, e constitui o mais exuberante exemplo desta temática em Portugal. Mais modesto, o Retábulo de Nossa Senhora da Rosa data já da década de 40, da responsabilidade do arquitecto Francisco do Couto. E foram muitas as actualizações estéticas que se prolongaram por todo o século XVIII, como o prova ainda o portal, enquadrado por pares de colunas salomónicas suportando um amplo entablamento, e outras obras já rococós.

No século XIX, com a extinção das ordens religiosas e um violento incêndio ocorrido em 1833, logo a seguir ao cerco do Porto pelas tropas miguelistas, o convento entrou em decadência. O claustro foi arrasado para dar lugar ao Palácio da Bolsa e a igreja foi ocupada para diversos fins, como o de armazém da Alfândega da cidade.

A importância desta igreja para o Porto e para toda a História da Arte portuguesa está bem expressa na atenção que a DGEMN lhe consagrou aquando do restauro iniciado em 1957. Ao contrário do que sucedeu na esmagadora maioria dos nossos monumentos de origem medieval, em que toda a obra pós-medieval foi sacrificada, em São Francisco do Porto tudo se manteve.



Texto: PAF / IPPAR

Fotos: Ana Cristina Nunes Martins 2006 - IPPAR

 


 


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Sexta-feira, 9 de Maio de 2008

Capela de São Francisco - Freamunde - Paços Ferreira

 


 

De acordo com os poucos dados disponíveis, no início do século XVIII já existia uma pequena ermida ou oratório dedicado a São Francisco, onde funcionava uma confraria, que dispunha de alguns recursos. Não se sabe, todavia, em que data esta foi instituída, nem a que época remonta o primitivo oratório, cuja expressão e importância não é possível determinar. Apenas é possível perceber que esta primeira construção foi demolida em 1734, para dar lugar à capela que hoje conhecemos, oficialmente sagrada em 1743. No lintel da porta, a data de 1737 corresponde, muito possivelmente, à conclusão dos trabalhos de pedraria, prolongando-se, nos anos seguintes, a campanha decorativa do interior.
A fachada principal, com pilastras nos cunhais, encimada por um pináculo e, do lado oposto, pela torre sineira, termina em empena interrompida por um brasão encimado por cruz. Ao centro, abre-se o portal de verga curva, com cornija saliente e frontão triangular interrompido pelo nicho que, por sua vez, é flanqueado por duas janelas de linhas rectas. No tímpano, e beneficiando de um maior destaque, encontra-se o emblema da Irmandade. A sineira é coroada por um frontão de volutas. Tal como nas restantes fachadas, também a principal é caracterizada por uma enorme depuração, numa arquitectura chã que concentra no eixo vertical do portal os elementos de maior decorativismo e simbolismo.
No interior, de nave única e capela-mor rectangulares, revestem-se de especial interesse os diversos elementos de talha dourada e polícroma e, em particular os retábulos colaterais, cortando os ângulos da nave e o retábulo-mor. É possível que todos estes trabalhos sejam já de época posterior, uma vez que acusam alguma depuração mais próxima de um gosto neoclássico. O tecto, em estuque, exibe motivos geométricos.
Após a reconstrução da igreja teve início a obra da Casa-Hospício, entregue à Ordem Terceira de São Francisco. Esta liga-se ao templo através de um muro com merlões aberto por dois portões, e o seu edifício pauta-se por um enorme despojamento.
Este conjunto arquitectónico forma um adro no qual se encontra o cruzeiro, aqui implantado desde 1992.


 


 

Texto: IPPAR - (Rosário Carvalho)

publicado por MJFSANTOS às 01:52
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