Terça-feira, 11 de Novembro de 2008

Igrteja de São Francisco - Porto

A chegada dos frades franciscanos à cidade do Porto aconteceu praticamente ao mesmo tempo que o estabelecimento da ordem nas cidades mais populosas do Sul do país (Lisboa e Santarém), estando a sua presença na cidade da foz do Douro testemunhada logo em 1223. A construção da sua igreja iniciou-se, ao que tudo indica, em 1244, mas as resistências por parte das autoridades religiosas tradicionais da cidade e a eventual falta de apoio financeiro, determinaram que as obras se tivessem arrastado por todo o século XIII e que o resultado final tenha sido um templo modesto, de dimensões reduzidas e, muito provavelmente, de uma só nave (BARROCA, 2002, p.51).

No reinado de D. Fernando, monarca que concedeu particular protecção aos franciscanos, procedeu-se à construção do templo que hoje subsiste. As obras iniciaram-se já no ano da morte do rei, em 1383, e prolongaram-se pelos primeiros anos do século XIV, entrando, muito provavelmente, pela segunda década.

Pretendeu-se, acima de tudo, dotar a instituição de condições mais favoráveis à sua acção, pelo que se ampliou consideravelmente a anterior igreja. O resultado foi um templo de três naves de cinco tramos, transepto saliente e profusamente iluminado e cabeceira tripartida, com capela-mor mais profunda e cintada por grossos contrafortes. O modelo planimétrico adoptado não foi mais que o já ensaiado em variadíssimos templos góticos do país, a partir do gótico mendicante do século XIII. Mas a obra de São Francisco do Porto possui uma marca regional importante, que ajuda a caracterizar o Gótico nortenho da transição para a dinastia de Avis. Sintoma disso mesmo é o "lacrimal decorado com bolas" na parte superior das frestas da capela-mor (BARROCA, 2002, pp.52-53), elemento que prova uma certa influência galega na região Norte do país por esta altura.

Nos séculos seguintes, a igreja de São Francisco do Porto foi objecto de várias campanhas artísticas. Ainda do século XV, do reinado de D. João I, é a pintura mural alusiva à Senhora do Rosa, obra atribuída a António de Florentim e uma das mais antigas pinturas murais conservadas no país. Da década de 30 do século XVI data a Capela de São João Baptista, desenhada por João de Castilho e que constitui um dos momentos-chave na evolução deste que foi um dos principais arquitectos do ciclo manuelino.

Mas a principal campanha moderna da igreja de São Francisco foi efectuada na época barroca, remodelação que confere ao interior do templo, ainda hoje, o estatuto de igreja forrada a ouro. Com efeito, nos inícios do século XVIII, todo o interior, engrandecido ao longo da centúria anterior, foi objecto de uma remodelação radical, construindo-se, então, os principais retábulos de talha dourada. O retábulo-mor, dedicado à Árvore de Jessé, foi reformulado entre 1718 e 1721 por Filipe da Silva e António Gomes, sobre uma obra pré-existente, e constitui o mais exuberante exemplo desta temática em Portugal. Mais modesto, o Retábulo de Nossa Senhora da Rosa data já da década de 40, da responsabilidade do arquitecto Francisco do Couto. E foram muitas as actualizações estéticas que se prolongaram por todo o século XVIII, como o prova ainda o portal, enquadrado por pares de colunas salomónicas suportando um amplo entablamento, e outras obras já rococós.

No século XIX, com a extinção das ordens religiosas e um violento incêndio ocorrido em 1833, logo a seguir ao cerco do Porto pelas tropas miguelistas, o convento entrou em decadência. O claustro foi arrasado para dar lugar ao Palácio da Bolsa e a igreja foi ocupada para diversos fins, como o de armazém da Alfândega da cidade.

A importância desta igreja para o Porto e para toda a História da Arte portuguesa está bem expressa na atenção que a DGEMN lhe consagrou aquando do restauro iniciado em 1957. Ao contrário do que sucedeu na esmagadora maioria dos nossos monumentos de origem medieval, em que toda a obra pós-medieval foi sacrificada, em São Francisco do Porto tudo se manteve.



Texto: PAF / IPPAR

Fotos: Ana Cristina Nunes Martins 2006 - IPPAR

 


 


publicado por MJFSANTOS às 08:06
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Terça-feira, 25 de Setembro de 2007

São Nicolau - Porto - Património Mundial da Humanidade

A freguesia de São Nicolau, com uma área de O, 21 quilómetros quadrados, ocupa o centro histórico da cidade do Porto, situando-se integralmente na Zona Histórica da Cidade, considerada Património Mundial.
O acesso à Freguesia faz-se pela Ponte D. Luís e por vários pontos da cidade, uma vez que se situa no coração da mesma.
Confronta com a freguesia da Vitória, a norte; com o rio Douro, a sul; com a freguesia da Sé, a nascente; e com Miragaia, a poente.
A origem das actuais freguesias remonta às paróquias eclesiásticas.
Ao longo dos séculos, a Igreja foi estruturando a sua acção, a partir dos pequenos núcleos populacionais de cariz rural, estabelecendo em torno deles as suas unidades de base: as paróquias eclesiásticas.
Na falta de níveis de organização da administração do Estado, disseminados pelo território, as paróquias eclesiásticas foram assumindo e realizando um conjunto de acções de natureza administrativa, fundamentalmente relacionadas com o estado civil dos cidadãos: registos de nascimento, registos de óbitos, assentos de casamento e administração dos cemitérios, entre outras.
A actividade das paróquias eclesiásticas, em domínio e funções da administração pública, manteve-se no foro da Igreja até 1830, quando, em pleno período liberal, as paróquias foram integradas num sistema administrativo do Estado, a par e em coincidência territorial com as paróquias eclesiásticas. Estas mantiveram as funções de administração eclesiástica, enquanto que, para as paróquias civis, passaram as funções de administração pública.
A criação desta Freguesia remonta ao século XVI.
Criada em 1583, a freguesia de São Nicolau afirmou-se rapidamente como o centro comercia! do Porto. Para tal, contribuiu a proximidade com o rio Douro, através do qual desciam até ao burgo, os produtos agrícolas. O pequeno comércio concentrava-se na área desta Freguesia. Em 1590, só na Praça da Ribeira, havia, de acordo com os dados fornecidos pelo investigador Ribeiro da Silva, sete regateiras de fruta e hortaliças, doze regateiras de peixe, seis lojas de azeite e uma pequena casa que fornecia comer.
Por ser o 'coração económico" da cidade do Porto, o labirinto de ruas, vielas, pátios e íngremes escadarias começaram a pulular de gente: mulheres com as mãos escamadas do peixe e marujos habituados às fainas fluviais conviviam em alegre, mas nem sempre pacífico frenesim, com os canastreiros, sapateiros, mercadores, sombreireiros e alfaiates que se instalaram nas casas alcandoradas da zona, entre santos protectores, ainda hoje fixados em nichos alumiados por lâmpadas de azeite.
Aliás, a religião polarizava as atenções da população, sempre militante nas procissões que enchiam a cidade, num cortejo hierarquicamente perfilado, em que cada um seguia na posição correspondente ao respectivo “status social”. Essa vertente religiosa pode verificar-se em monumentos, como as Igrejas de São Nicolau, de São Francisco, de São João Novo e dos Grilos.
A imagem de marca desta Freguesia é a presença do rio (com mais ou menos pontes) e da cascata de casas que descem sobre ele, em socalcos graníticos, desde a Sé e a Vitória, por entre ruas sinuosas e estreitas que, por terem a sua história, merecem que se recupere toda a sua dignidade, identidade e autenticidade, pois nelas repousa o melhor da memória colectiva de São Nicolau.
Actualmente, a Freguesia enfrenta graves problemas urbanos, que requerem medidas de acção rápidas e eficientes, a fim de evitar a ameaçadora delapidação do seu património cultural, social e humano. As casas a cair de podres; a ausência de espaços verdes; o esgaçar dos laços familiares provocado pela dependência da droga; o desleixo para com as crianças, que crescem por sua conta; e a situação precária de muitos idosos, abandonados pelos familiares à sua própria sorte, são alguns dos mais graves problemas com que São Nicolau se depara, causas e resultados da debandada populacional que afecta a (por quanto tempo ainda?) Freguesia mais densamente povoada da Região Norte.

Porto - S. Nicolau

publicado por MJFSANTOS às 00:36
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Segunda-feira, 24 de Setembro de 2007

Igreja São Nicolau - Porto

A igreja primitiva foi destruída por um incêndio, em 1758. A sua reconstrução, em estilo clássico e barroco, tem como responsável pelo projecto Frei Manuel de Jesus Maria. Na fachada principal, por cima do portal, existe um frontão, no qual se encontra o brasão de D. Frei António de Sousa. Já na parte superior da fachada há um janelão, encimado por um nicho que contém a imagem de S. Nicolau. No interior a igreja tem só uma nave. O retábulo da capela mor, em talha rococó, tem um painel de João Glama. Os retábulos colaterais da nave, datados de 1816, são de estilo Império. Na sacristia existem três grandes espelhos que, em 1817, vieram de Hamburgo e ainda várias e importantes peças de ourivesaria.

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