Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008

CASA DO ANJO SÃO MIGUEL - VALONGO

Foto: Maria Inês Dias - 04/08/06 - IPPAR


Inscrita na malha urbana de Valongo, a casa do Anjo São Miguel destaca-se pela fachada totalmente revestida a cantaria, em contraste com outras que a ladeiam e onde, já o século XX, foram aplicados pequenos azulejos rectangulares monocromáticos.

São muito escassas as informações relativas a este imóvel, conhecendo-se apenas a data da sua edificação, em 1766, conforme a inscrição presente na cartela sobre a porta principal.

O frontispício, de dois andares, é aberto por uma porta e uma janela, no piso térreo, e outras duas, de sacada, no andar superior. Todos os vãos são de linhas rectas e a janela inferior exibe moldura com avental trabalhado, e uma vieira no lintel. Ganham especial relevância as mísulas que suportam a varanda, cujos remates são esculpidos como rostos.

Como era habitual na arquitectura civil setecentista, o piso nobre beneficiava de um tratamento mais cuidado, que no caso deste imóvel se manifesta nos brincos das ombreiras e na cornija, volumosa. Esta, forma um semicírculo na área que existe entre as janelas de sacada, acolhendo e conferindo um maior destaque à escultura de São Miguel, à qual a casa deve a sua designação. A iconografia seguida na execução desta imagem é a que tradicionalmente se relaciona com o arcanjo, e que representa S. Miguel combatendo o dragão. De facto, observamos aqui a figura do anjo, erguido sobre o dragão, e a segurar a lança que projecta sobre o animal numa das mãos, enquanto, na outra, deveria pender uma balança, alusiva à condenação e à salvação. Este episódio pode encontrar-se nos seguintes versículos do Apocalipse (Ap. 2, 7-9): "Depois, travou-se uma batalha no céu: Miguel e seus anjos declaram guerra ao Dragão. O Dragão e os seus anjos combateram, mas não resistiram. E nunca mais encontraram lugar no céu: o grande Dragão - a serpente antiga - a que chamam também Diabo e Satanás - o sedutor de toda a humanidade, foi lançado à terra; e com ele foram lançados também os seus anjos".

Apostas à cornija, e no eixo dos vãos, encontram-se ainda duas cartelas de elementos concheados. No interior, apenas uma das salas do andar nobre apresenta tecto em masseira e uma fonte-lavabo, em granito.

Sem a imponência de um grande solar urbano, e sem a ostentação de poder conferida pelos elementos heráldicos destas habitações, a casa do Anjo São Miguel destaca-se, exactamente, pela figura que lhe dá o nome, e que constitui uma espécie de registo (boa parte dos quais em azulejo), em que São Miguel é, muito possivelmente, invocado como protector desta casa.

Texto: (Rosário Carvalho) / IPPAR


publicado por MJFSANTOS às 07:01
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Domingo, 30 de Novembro de 2008

Ponte de São Lázaro - Alfena - Valongo

Foto: DGEMN: DSID


Localizada na antiga estrada medieval que ligava o Porto a Guimarães, a pequena ponte de São Lázaro tem sido tradicionalmente atribuída à época romana, hipótese que, recentemente, por ocasião do restauro da estrutura, veio a ser encarada como muito provável, na medida em que se identificou um silhar almofado, com "recorte romano" e "marca dos ferrei forfex". Paralelamente, o perfil redondo do arco central, apesar de bastante modificado, é outro indicador acerca da sua maior antiguidade.

 

Apesar desse cada vez mais provável passado romano, a ponte que chegou até aos nossos dias data da Baixa Idade Média, cronologia que é confirmada pelas suas características estruturais e pela parca documentação que a ela se refere. Pelas Inquirições de 1258 sabemos que, associada à ponte, existia uma gafaria de leprosos, solução que tem eco em outras estruturas de passagem da Idade Média portuguesa, em particular em meios rurais. Esta informação atesta a existência da ponte em meados do século XIII, assim como confirma a sua importância no contexto regional, a ponto de aqui se ter implantado uma instituição de assistência. Essa gafaria, a seu tempo, transformou-se em Hospital, sendo referido em 1747, altura em que lhe estava anexa uma capela e algumas casas nas imediações. Pela longa duração desta gafaria, facilmente nos apercebemos da sua relação com a ponte, evocando-se, assim, "um rosário de tragédias e repulsas" tão característico da marginalidade social a que muitos indivíduos foram sujeitos ao longo da História.

 

A ponte propriamente dita compõe-se de dois arcos desiguais, um mais amplo e central, lançado sobre o leito do rio Leça, e outro menor, do lado da margem esquerda, destinado a melhor escoar a água em épocas de forte correnteza. Ambos são construídos com aduelas compridas e estreitas (características da Baixa Idade Média), apesar de formarem uma volta perfeita; o seu intradorso é extremamente regular, constituído por silhares bem aparelhados e dispostos horizontalmente.

 

O mesmo não podemos dizer a respeito do aparelho de enchimento, que é revelador das sucessivas fases de consolidação da estrutura. Recorrendo a fiadas horizontais de blocos genericamente rectangulares, ele apresenta numerosos cotovelos e cortes verticais, caracterizando-se por uma composição pseudo-isódoma que contraria a regularidade plena das estruturas romanas e, até, das baixo-medievais. O facto de algumas pedras apresentarem siglas de canteiro confirma a cronologia pelo século XIII, mas muitas outras existem que não possuem qualquer marca, o que indica ter o monumento sido alvo de reconstruções na Idade Moderna.

 

O tabuleiro é o principal elemento de cronologia medieval. Disposto em cavalete de dupla rampa e lajeado com grandes blocos, tem uma largura máxima de c.3,2m, ideal para a passagem de carros de tracção animal que deixaram a sua marca em duas linhas de sulco no pavimento. Originalmente, a passagem era protegida por "guardas em granito de remate boleado", de que se encontraram algumas durante o restauro.

 

Em 1995, a Câmara de Valongo procedeu a obras de consolidação da estrutura, substituindo-se, então, o lajeado do pavimento, reconstituindo-se as guardas em granito e impermeabilizando-se o tabuleiro, através de uma solução não visível do exterior. No ano seguinte, a autarquia promoveu um arranjo parcial das margens, com regularização do curso do rio e definição de uma zona de lazer.

 

À saída da ponte, a capela de São Lázaro recorda o passado assistencial do local. A sua configuração actual data da época moderna, mas conserva os dois elementos espaciais essenciais de um templo com estas características: o santuário propriamente dito (composto por nave única e sem capela-mor individualizada volumetricamente) e um alpendre suportado por pilares e protegido por muro a todo a volta.


Fonte: PAF / IPPAR


publicado por MJFSANTOS às 07:20
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